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quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

DESCASO MÉDICO COM PACIENTES, O QUE FAZER?

No dia de ontem minha filha Ana Paula, ficou indignada com o descaso da médica pediatra que iria atender dois sobrinhos dela, meus netos, numa consulta agendada para as 14:30hrs. Já passava bastante deste horário quando a médica chegou no seu consultório, tendo uma outra paciente e seu filho à frente de minha filha, para serem atendidos primeiro, pois eram os agendados das 14:00hrs. A médica chegou, não cumprimentou as pessoas que lá estavam e nem se desculpou pelo seu grande atraso. Ao invés de atender logo a paciente das 14:00hrs, atendeu primeiro a dois representantes de laboratórios, que com certeza lhe deram vários remédios de amostra grátis e só após, com mais de uma hora de atraso, foi atender a paciente agendada para as 14:00hrs, num verdadeiro desrespeito ao ser humano, em especial as crianças que são obrigadas a ficarem confinadas num pequeno espaço sem terem nada o que fazerem, para darem vazão a sua energia. As demais pacientes que lá se encontravam disseram à minha filha, que esses atrasos de mais de uma hora desta "doutora" era normal, pois ela nunca chega no horário da primeira consulta. Fico eu pensando, o que leva uma profissional que deveria cuidar da saúde, tanto física como psicológica de pessoas, a agir desta  forma com total descaso, trazendo um desgaste tanto físico como emocional para seus pacientes? Seria se achar que está acima de tudo e de todos e que não tem contas a prestar a ninguém? Há um ditado que diz: "Alguns médicos acham que são deuses, outros tem certeza disto, de que o são". Sim, o comportamento de alguns médicos levam-no a crer que são "deuses", estando em suas mãos o direito de dar á vida ou não, a aqueles que dele dependem. Estes "pseudo deuses" não se importam com o sofrimento alheio, por isto, deixar os pacientes esperando longo tempo em uma sala de espera, para eles não é nada, não afetam nem perturbam a sua calcinada consciência. Logicamente que há exceções, há médicos que realmente honram o compromisso assumido no juramento de Hipócrates, tanto de cuidar bem de seus pacientes independente da contraprestação financeira, como também em serem pontuais em compromissos de suas consultas agendadas previamente, estes merecem o nosso louvor mas infelizmente eles são uma minoria. Todos concordam que devido a vários fatores e imprevistos, possa ocorrer algum atraso em consultas agendadas mas quando isto se torna uma regra e o atraso ultrapassa há uns vinte minutos toleráveis, pode haver um prejuízo não só emocional, como financeiro. As pessoas, programam o seu dia, com base em horários pré-estabelecidos e quando isto é rompido por uma consulta que se atrasa muito, o infrator, no caso o médico, deve ser compelido a ressarcir o dano ou prejuízo causado. O Código de Defesa do Consumidor está aí para garantir a todos, no caso ao paciente de pleitear junto a justiça, até mesmo de forma gratuita através da Defensoria Pública, o ressarcimento pelo prejuízo causado por tal médico negligente com seus compromissos de consulta de hora marcada. Para que isto aconteça e você seja reembolsado, você deve fazer algumas anotações, seja do dia e horário marcado, o atraso ocorrido com fotos de seu celular marcando isto e outras provas como, o horário de estacionamento de seu veículo,  nome e endereço de pessoas que estão no mesmo consultório e até da atendente, para registrar o momento da sua chegada até o seu efetivo atendimento. Só assim, com estas providencias, por certo drástica, pois irá mexer no bolso de tais médicos, vamos melhorar esta relação médico/paciente, onde os horários de consultas marcadas vão efetivamente funcionar e não haverá tanto desrespeito ao ser humano, que já sofre por seus males, acrescidos por mais este, o descaso. Todos nós, independente de nossa profissão, seja ela, advogados, médicos, dentistas, veterinários, engenheiros, juízes, desembargadores, promotores, estamos debaixo da lei e não acima desta, assim devemos cumprir os nossos compromissos assumidos, para não sermos compelidos a ressarcir um dano havido por nossa negligência, em não sermos pontuais, agendando horários que sabidamente não poderemos honrar na ânsia de angariarmos mais dinheiro. Fica a dica para fazer valer seus direitos de paciente!!!
             

segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

O DELICIOSO MANJAR DE DONA LIANA, MINHA MÃE






Esta semana fui convidado para fazer um lanche à noite na casa da sogra de meu filho mais novo. Depois de saborear uma boa comida de sal, a avó da minha nora, veio com uma sobremesa que ela disse ter feito especialmente para mim, era um manjar com calda de ameixas, aliás muito bem feito, dando-lhe eu os parabéns por esta deliciosa sobremesa feita com muito carinho e amor. Tal manjar me remeteu a um tempo em que tinha minha mãe junto a mim. Toda vez que minha mãe, dona Liana, era convidada para ir a alguma festa, ou apenas visitar uma pessoa amiga, ela ao invés de só levar presentes ou flores, levava como seu carro chefe e verdadeiro conquistador de amizades por seus dotes culinários, um delicioso manjar. Não era um manjar comum, desses que são feitos usando pacotes de coco já ralado ou leite de coco comprado em garrafas nos supermercados. O seu manjar era totalmente artesanal. Primeiramente ela ia a um armazém, desses que vendem atacado e varejo, para adquirir cocos maduros que vinham em sacos de sessenta quilos, os cocos eram escolhidos a dedo, depois de ela os balançar e ouvir o barulho de seu líquido dentro, para ver se prestavam ou não. Depois já em casa, ela passava a fura-los com um grosso prego para verter a água em vários copos. Após isto, eles eram quebrados, não de forma normal, mas jogando-os várias vezes com toda a força numa calçada de pedra. Depois de partidos, passava a tirar as suas cascas escuras com uma faca afiada, ficando só a polpa dura e branca. Só então eram ralados os seus vários pedaços, não num processador ou liquidificador, como se faz hoje mas à mão num simples ralador de latão aluminizado. Os pedaços enquanto grandes eram fáceis de ralar mas aos poucos iam ficando pequenos e quase que se ralava as unhas junto com os cocos, assim o finalzinho do coco era picado com uma faca. Minha mãe usava dois cocos maduros ralados para cada manjar que fazia. Parte de um deles era para fazer o leite de coco, que era espremido num pano até sair todo o seu sumo. Assim, quando o manjar ficava pronto, possuía uma boa consistência tipo uma polenta e não como um molengo pudim, desta forma podia-se então comer o manjar mastigando os vários pedaços de cocos em seu meio. O manjar ficava tão bom, que a calda de ameixa era dispensável por minha mãe. Não havia ninguém que não apreciava o seu manjar e quase sempre lhe pediam a receita de como fazer um igual. Não sei se ela tinha algum segredo que não revelava a ninguém, ou se era o jeito tosco como ela o fazia, o certo é que seu manjar era inigualável. Lá em casa o que faltava em termos financeiros, sobrava em dotes culinários. Meu pai havia sido ajudante de cozinha no Hotel Glória e também no Copacabana Palace, portanto havia apreendido a cozinhar muito bem e quando ele tinha que cozinhar pra nós por conta de alguma doença ou viagem de minha mãe, ele se esmerava nas refeições, fazendo-nos suspirar por seus quitutes ou quando havia condições em fins de semana, nos deliciava com o seu famoso pato no tucupi. Apesar disto, no quesito sobremesa, o manjar de minha mãe não tinha competidor, era famoso em toda vizinhança, até meu pai, um quase maître de grandes hotéis, reconhecia isto. Por isto, toda vez que alguém me dá como sobremesa um pedaço de manjar, as lembranças felizes de minha querida mãe me vem a memória. Aguardo ansiosamente o dia em que ela puder retornar à vida, através da ressurreição e de novo poder fazer aquele manjar que só ela, dona Liana sabia como fazer e eu poder lhe dizer com muitas lágrimas nos olhos: - Puxa mãe, que saudade enorme deste seu manjar!  .       

quarta-feira, 23 de janeiro de 2013

MEU DIA DE VERÃO INESQUECÍVEL







O verão é pra muitos a melhor estação do ano, é a época em que os dias são mais longos e quentes, o sol irradia um brilho intenso lotando de gente bonita e dourada as nossas numerosas praias, além disto, pra nós do hemisfério sul é o tempo de férias escolares. Assim é justificável esta preferência pelo verão. Todos nós já vivemos alguma vez, algum verão que marcou as nossas vidas. Eu já tive vários dias bons de verões. Me lembro de alguns, como o dia de verão em que eu fui com meus pais e irmãos fazer piquenique na Barra da Tijuca, naquela época uma verdadeira aventura já que o acesso era difícil, pois a Barra era serpenteada por altas montanhas de caminho ruim e separada do continente por várias lagunas, mais valeu apena o sacrifício em chegar lá. Depois de alguns bons mergulhos numa praia paradisíaca de extenso areal, sentamos debaixo de uma amendoeira e comemos aqueles sanduíches apetitosos feitos pelas mãos habilidosas de minha mãe, acompanhados de várias garrafas de "crush" e "grapette" os refrigerantes de laranja e uva da época. Uns tempos depois houve o verão em que passei vários dias na Praia de São Gonçalinho, perto de Tarituba, uma praia deserta pertencente ao município de Paraty e que fica no litoral sul do Rio de Janeiro. Quando estive lá, ainda não havia a Usina de Angra dos Reis, nem qualquer estrada e o acesso era só por mar, pegando na ocasião um forte vento sudoeste antes de desembarcar na praia onde foram feitas as filmagens de "Como era bom o meu Francês". Também os vários verões que passei na Praia Vermelha na Ilha Grande-RJ, me deliciando com um mar de águas limpíssimas e com os bons peixes levados pelos pescadores. Mas o meu dia de verão inesquecível, foi quando meu pai que fazia parte da diretoria de um sindicato, conseguiu autorização para visitarmos a Ilha de Brocoió, que fica no fundo da Baia da Guanabara. Assim bem cedo, eu, meus pais, meus irmãos e alguns amigos, nos dirigimos para a Praça Quinze, no centro do Rio e pegamos a barca que nos levaria até a Ilha de Paquetá. Depois de quase uma hora e meia no mar, chegamos ao ancoradouro da citada ilha. A Ilha de Brocoió fica defronte a de Paquetá, ha menos de quinhentos metros desta. Assim, alugamos um outro barco pequeno que nos levou até Brocoió. Visitamos a residencia oficial do governador do antigo Estado da Guanabara e depois escolhemos um local para passarmos o dia, saboreando o bom lanche levado e tomando banho de mar nas águas ainda limpas daquela Ilha. Não que o local fosse muito bonito e privilegiado por boas paias, nem podia pois é dentro da baía mas o que me faz recordar como um verão inesquecível eram as pessoas que estavam lá comigo, naquele local aprazível. É muito bom me lembrar de meus pais ainda cheios de vigor e felizes, correndo até à água para um bom mergulho, depois ainda me lembro ver meu pai subindo em algumas árvores para colher alguns frutos a fim de alimentar com eles as inúmeras cotias que lá existiam. Foi uma ocasião muito feliz para todos nós e voltamos pra casa já quase à noite revigorados por um dia de verão que teima em não sair da minha memória. Pena que tal ilha agora não possa ser visitada pelas pessoas comuns, como nós, a fim de terem também um dia de verão inesquecível como o que eu tive.

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

A MELHOR OPÇÃO

Há algum tempo atrás, estive para comprar uma casa muito boa perto da casa de minha filha que é casada. Ela possuía  seis quartos, três deles eram suítes, uma cozinha de uns cinquenta metros quadrados, um grande salão, varandão em toda sua volta, num anexo lavanderia, quarto de empregada com banheiro, sauna, churrasqueira. Tal casa estava edificada num terreno plano, arborizado e gramado, com garagem para três carros, tudo isto por apenas cento e oitenta mil reais. Razão desta pechincha: A casa não possuía qualquer documentação, ela foi construída num terreno de posse e o vendedor só possuía comprovantes de que á posse era antiga, com mais de dez anos. Como para mim não haveria muitos problemas, pois como advogado estou acostumado a descascar abacaxis bem piores, falei com o vendedor que me interessava o imóvel, só faltando alguns ajustes para capitalizar o valor pleiteado já que com o imóvel assim, não poderia pleitear financiamento para adquiri-lo. Estava assim descansado, fazendo dinheiro, achando que o aludido imóvel seria meu, pois para mim eu era a única opção para o vendedor da casa, já que do meu ponto de vista, ninguém se interessaria arriscar cento e oitenta mil reais num imóvel em tais condições, sem escritura, sem "habite-se" com total falta de documentos comprobatórios da propriedade. Passados alguns dias, vejo pessoas estranhas na casa, só então percebo que a casa havia sido vendida a terceiros e muito triste constato, que eu não era a unica opção do vendedor, haviam mais pessoas interessadas em correr o risco para ter aquela bela casa, que com a documentação acertada, valia perto de seiscentos mil, com o acréscimo de uma piscina então, chegaria fácil a setecentos mil. "Dormi no ponto" por achar que era a única opção, com isto perdi um excelente negócio. Em outros campos da vida, também achamos que somos a melhor ou a única opção para alguém e ficamos descansados, como que dando tempo ao tempo, esperando que a outra parte praticamente nos implore o nosso amor, quando de repente somos pegos de surpresa, ao descobrimos que havia um concorrente com mais capacidade que nós e não titubeou em arrebatar aquele prêmio que nós havíamos negligenciado e dado pouco valor. Sim, é muito triste quando isto acontece, vermos escapulir por entre nossos dedos algo valioso, que já contávamos como nosso, deixando passar uma oportunidade que com certeza jamais voltará atrás. Assim, a vida tem me ensinado algumas coisas, muitas delas de forma dolorosa que é: Não se supervalorize, achando que é a melhor opção para alguém e que outros não estão interessados na pessoa que maltratamos e desprezamos. Pior ainda é achar que somos a única opção para alguém sair de uma situação solitária, raciocinando no íntimo, se não for comigo vai ficar "pra titia". Minha vó já dizia, que há sempre um chinelo velho para um pé doente. Desta forma devemos estar atentos aos que nos rodeiam e demonstram por palavras e atos que nos querem bem. Tratemos tais pessoas bem, retribuindo a atenção e o carinho recebido. Não devemos ficar absortos em devaneios pensando ou tentando adquirir algo que reportamos como melhor e só depois quando damos com os "burros n`água" é que pensamos voltar à nossa atenção para aquela pessoa que deixamos em "stand by". É um comportamento perigoso, pode ser muito tarde e veremos com tristeza que perdemos a oportunidade de ter alguém que nos amava, já que não éramos a melhor e muito menos a única opção dela.           

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

O 'FIM' SEGUNDO OS MAIAS

Embora noventa e oito por cento das pessoas não acreditem na previsão feita pelos antigos povos que viviam nos países onde hoje ficam Honduras, Guatemala e o sul do México, conhecidos como "Os Maias" uns quase dois por cento acham mesmo, que amanhã dia 2 l de dezembro de 2012, haverá o fim do Mundo, ou como alguns outros dizem, será o começo de uma Nova Era. Esta civilização a dos Maias, possuía dois calendários, um religioso e outro agrícola, ambos baseados no período lunar, razão porque os seus meses eram de apenas vinte dias. Sendo assim, como algumas pessoas chegaram a esta conclusão, baseados no calendário Maia de que amanhã, dia 21 haverá o fim ou o recomeço de uma nova era? Isso se deu porque "os Maias",  diziam que a cada período de 3.172 anos, ou 61 vez de 52 anos solares, acaba-se um ciclo e começa-se outro e um destes ciclos cai exatamente no dia 21 de dezembro de 2012. Alguns outros entendidos na civilização Maia, dizem que este ciclo, ocorre a cada 5.125 anos, havendo assim certa divergência entre eles, como se contabiliza o aludido tempo. Segundo eles, do centro de nossa Galáxia, a Via Láctea, partira uma luz solar muito forte que atingirá o nosso planeta, ao ponto de mudar os nossos pólos e com isto mudar completamente a raça humana a partir do dia 22 de dezembro. Embora não se possa dizer que Os Maias, foram povos incultos e sem nenhuma ciência (pois as tinham em boa medida), ainda assim eram povos primitivos, politeístas e adoradores do sol,  por achá-lo como governante das atividades humanas. Deixando de lado este "fim" predito pelos Maias, sempre houve na história humana notícias e datas do "Fim do Mundo", por conta disto muitas pessoas, nas ocasiões marcadas, chegaram até a cometerem suicídios e fizeram outras desgraças para não assistirem tal ato. Sempre que se fala neste assunto, os oportunistas de plantão, fazem algumas ligações com Nostradamus, agora estão dizendo que em uma de suas "profecias", fala que a trombeta do livro bíblico Apocalipse, estará coincidindo com a bilionésima visualização da música Gangnam Style do rapper coreano Psy,  segundo alguns matemáticos, esta bilionésima visualização do vídeo pode ocorrer no dia 21 de dezembro. Estas coisas todas, me lembram a história de um menino, que foi designado para ficar de vigília a noite para avisar aos donos de animais, sobre o ataque de lobos aos seus rebanhos. Ele não era muito chegado a verdade e assim, por diversas vezes, alardeou a chegada de lobos para atacarem ao rebanho, os donos dos animais ficavam à postos prontamente, mas eram falsos os seus alardes. Quando os lobos vieram mesmo, ninguém deu importância aos seus gritos e vários animais foram devorados. Me parece que o Inimigo da Vida, tem incentivado estes falsos alardes, para as pessoas ficarem descontraídas e acharem que nada irá acontecer. Não estou dizendo com isto que acredito num fim do mundo, mas naquilo que foi dito pelo Filho de Deus, Jesus Cristo, que assegura que haverá um fim destas coisas como as conhecemos, ou este sistema de vida, não o fim de nosso Planeta Terra. Sim, haverá uma limpeza mundial de pessoas que praticam o que é errado, sendo tirado dela todas as pessoas ruins, quais malfeitores, para que os mansos possam herdar a Terra e viver nela para sempre. Embora vivamos bem perto deste dia, Jesus nos asseverou, que nem Ele, nem os Anjos sabem o dia e a hora que isto ocorrerá, apenas o Seu Pai Celestial tem a data certa para efetuar tal limpeza drástica, o que significará a morte para bilhões de pessoas, quais refugos imprestáveis, enquanto para outros que fizeram ás mudanças necessárias será o início da vida eterna, neste planeta restaurado. Que tenhamos bem em mente estes fatos!    

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

LUTANDO CONTRA A MARÉ ADVERSA

Já faz um bom tempo, cerca de quatrocentos anos, quando Sir Isaac Newton, o grande físico e matemático inglês, conseguiu dar uma explicação científica para o fenômeno das marés, a subida e descida das águas do mar que acontece todos os dias, num período de doze horas e alguns minutos. Esta oscilação tem a ver com a força de campos gravitacionais de corpos celestes que atuam sobre nossa Terra, que é o da Lua e do Sol. Assim, quanto mais perto estes corpos estão, mais oscilações acontecem. Logicamente que a Lua, por estar muito mais próxima da Terra, tem uma atuação maior na variação das marés, que quando alta se chama maré cheia ou preamar, quando está baixa maré vazante ou baixa mar. Os surfistas gostam de saber quando a maré está alta ou baixa para terem um melhor desempenho, assim para eles o melhor é quando ela estiver crescendo e não totalmente cheia e também quando estiver diminuindo, que é onde eles pegam as melhores ondas, isto normalmente acontece no horário das oito da manhã ao meio-dia, não que em outros horários não se possa também surfar. Jack Johnson, um cantor e também surfista, diz em uma música antiga de Bob Marley, "High Tide or Low Tide", que estaria com seu amigo na maré alta ou na maré baixa da vida. Sim, a nossa vida tem estas mesmas oscilações ou fases, alta e baixa. Assim, quando somos jovens possuímos algum dinheiro ou bens e alguma fama, estamos na "maré alta". Nesta fase temos muitos amigos, somos paparicados, convidados pra festas e outras regalias da vida. Também nesta época quase não precisamos lutar para nos manter em pé na nossa "prancha" da vida, temos a proteção e a ajuda de várias pessoas, que nos seguram e praticamente imploram a nossa presença. Mas, como tudo na vida, há as marés baixas ou vazantes, ocasião em que já não temos aquilo que nos fazia aglutinar pessoas. Nesta baixa mar, ao aparecerem problemas e dificuldades, as primeiras coisas a "vazar" são as amizades interesseiras ou de falsos amigos. Neste período de baixa mar temos de lutar arduamente para nos manter em pé na nossa "prancha" sem as águas das amizades que nos ajudavam. Temos de ter tenacidade para não sucumbirmos e morrermos afogados ou tragados por algum "tubarão" tanto simbólico como literal, como aconteceu com a surfista havaiana Bethany Hamilton, que perdeu um dos braços surfando no Kauai perto de sua casa, mas nem por isto perdeu a sua determinação e fé, pois com um único braço se tornou campeã mundial. Aí sim, mostramos a nossa garra e disposição de vencermos obstáculos, também veremos quem são os nossos amigos de verdade, aqueles que estão conosco na maré alta e na maré baixa, sabendo de antemão que os falsos são como ratos, serão os primeiros a nos abandonar quando as coisas ficarem ruins, assim como acontece literalmente quando um navio está indo à pique. Que sejamos perseverantes em continuar lutando contra tal maré baixa adversa, sabendo que a preamar sempre volta depois de um tempo de maré vazante, é só esperar o ciclo natural. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

ISOLADO NA MINHA 'SIBÉRIA"


A Sibéria constitui boa parte do território russo, ou seja, mais da metade dele. Lá tem um dos climas mais frios do mundo, onde a temperatura chega fácil aos quarenta graus negativos. É uma imensidão de território gelado, com vasta área de estepe ou vegetação baixa, sem árvores. Agora imaginem, um enorme país gelado e sem árvores, é uma visão devastadora e sombria, para nós acostumados com muito sol e uma vegetação luxuriante dos trópicos. Muitos dos dissidentes políticos dos governos comunistas da antiga Rússia foram enviados para a Sibéria, como se tivessem sido mandados para um campo de concentração longínquo, sem direito ao retorno. Há algum tempo atrás, por perseguição religiosa, alguns cristãos também foram expulsos das metrópoles russas e enviados para a Sibéria como castigo. Embora tivessem perdido tudo o que possuíam em sua cidade natal, não perderam a alegria na obra cristã e aproveitaram a chance e começaram a fazer muitos discípulos em tal região, ou seja, o tiro do governo saiu pela culatra, pois várias congregações foram criadas em tais locais, onde não havia nada. Sim, a Sibéria já foi um local de castigo, hoje nem tanto, mas ainda é um país de grandes contrastes, de difícil acesso e muito distante do nosso, tendo uma diferença de fuso horário de 13 horas. Para compensar tanta frieza há o calor humano dos seus habitantes, que se esmeram na hospitalidade e gentilezas com os que lá visitam. Mas, às vezes, a nossa "Sibéria" é aqui mesmo, na nossa cidade, na nossa rua ou até mesmo na nossa casa, onde por algum motivo, somos como que isolados ou esquecidos das pessoas. É um verdadeiro castigo estar em tal "Sibéria", é como se não existíssemos. Nada dói mais do que ser ignorado ou não levado em conta, é como se já estivéssemos mortos, apenas não temos plena consciência disto, por insistimos em viver ou simplesmente respirar. Sim, são muitas as formas de "Sibéria", algumas delas vamos por vontade própria, desejando nós mesmos isolar-nos ou dar um tempo a sós em nossas vidas. Outras vezes não, esta situação nos é imposta, como uma retaliação por algo que fizemos ou acham que fizemos. Neste caso, se foi indevida ou houve um erro de avaliação é muito triste. Me lembro de um cantor que durante alguns anos dominou o cenário musical brasileiro, levando ao delírio milhares de fãs num show que fez no Maracanãzinho, quando nem era o astro principal do evento. Era um verdadeiro maestro das massas, que dominava como ninguém, fazendo todos cantarem o seu refrão. Quando estava assim no auge de sua carreira, aconteceu um fato policial envolvendo seu nome e de uma hora para outra aquele manipulador das massas se viu só,  rejeitado e esquecido por todos, como se tivesse sido mandado para a "Sibéria" do ostracismo. Passou quase vinte anos de sua vida no mais completo anonimato, sem nenhum trabalho como cantor, apesar de todo esforço que fez para provar a sua inocência. Houve um verdadeiro boicote à sua pessoa. Por conta disto, entrou em depressão, passou a beber, se tornou alcoólatra e morreu de cirrose hepática, ele não aguentou a sua "Sibéria". Às vezes também me sinto isolado na minha "Sibéria". Quando isto acontece, tento ver o mundo além do muro de isolamento que me é imposto, não me permito ficar restrito ao meu local de cativeiro. Sempre que posso alço voo na minha imaginação, para locais onde eu tenha a companhia de pessoas que me querem bem e não me desprezam