Páginas

domingo, 13 de abril de 2014

SALTANDO SEM REDE DE SEGURANÇA






Me lembro de quando criança, ter assistido um filme épico dirigido por Cecil B.DeMille, "O Maior Espetáculo da Terra" que chegou a ganhar o "Oscar" de melhor filme do ano, embora não fosse um primor de destaque na sétima arte. O filme conta uma história que se desenrola num grade circo, com vários bons números circenses que encheram os meus olhos infantis de emoção e entre tais coisas, havia espetaculares números acrobáticos de trapézio. Lá pelo meio do filme, o trapezista principal, Sebastian, a fim de ganhar uma disputa pessoal com Holly a mocinha e também trapezista, resolve dar um salto mortal triplo mas manda tirar a rede de segurança, que ficava embaixo, para o proteger no caso de alguma queda. Na vida, assim como no filmado circo, as vezes agimos assim. Por causa de fama, disputa ou para ganharmos notoriedade, corremos grandes riscos desnecessários, tirando espontaneamente a rede de proteção, ou seja, qualquer coisa que nos daria mais segurança em nossa tarefa. Passamos a agir como tolos, achando que nada de mal vai nos acontecer, que somos praticamente imortais. Também agimos assim por causa de dinheiro, adrenalina ou outra promoção qualquer e vamos aceitando desafios cada vez maiores, até que um dia acontece um fato trágico que podemos classificar de até certo ponto previsível, somos vencidos por ele e perdemos a vida ou ficamos entrevados numa cadeira de rodas. Sim, quantas pessoas que nós conhecemos que viviam desafiando à morte em esportes radicais em que se exigia muito adrenalina e hoje, ou estão mortos ou paraplégicos. Há uma centena deles. Isto não significa que vamos agora ficar com medo de tudo e nem sair de casa para não corrermos quaisquer riscos. A própria vida em si, neste velho sistema é um risco e muitos perderam à sua vida em casa, com um simples escorregão no banheiro. Há de se ter então um equilíbrio quanto aos riscos que todos os dias temos de enfrentar, estes aumentam ou diminuem nas escolhas que fazemos, evitando assim os riscos maiores, à toa e desnecessários como muitos o procuram por simples adrenalina. Sempre que pudermos, vamos fazer uso da "rede de segurança", que é qualquer coisa que torne o risco menor. Voltando a história do filme, o grande trapezista Sebastian, resolve fazer então um número radical para desafiar a estrela do espetáculo, também trapezista por quem se apaixonara mas que não era bem correspondido, pois ela amava outro, no caso o dono do circo. Assim, ele resolve dar um tríplice salto mortal no trapézio mas manda que os empregados do circo, tirem a rede de segurança que estava armada embaixo de toda extensão do trapézio. Às suas ordens, embora superpreocupados os ajudantes do circo, retiram a rede de proteção e assim Sebastian começa a balançar-se para lá e para cá, a fim de efetuar a manobra arriscadíssima. Quando Sebastian viu que estava na altura e velocidade desejada, parte para o voo acrobático, onde faz várias piruetas antes de tentar agarrar o outro trapézio lançado por um outro trapezista ajudante, que deveria estar em sincronia com a sua chegada. Acontece que por milésimos de frações de segundo, o trapézio não está no local devido e Sebastian cai de uma grande altura e se estatela no chão, para espanto de toda uma assistência que o observava admirada. Socorrido à tempo ele consegue sobreviver mas fica paralítico e nunca mais pôde subir num trapézio e fazer grandes manobras acrobáticas como fazia, passando a trabalhar no circo como um simples ajudante e não mais sendo o "ás" do espetáculo como era, tudo porque resolveu saltar sem rede de proteção. Que tenhamos sempre isto em mente, nunca corrermos riscos desnecessários ou dispensar coisas que nos podem proteger por simples exibicionismo.    

segunda-feira, 7 de abril de 2014

QUANTA AUTORIDADE TEM JESUS CRISTO?







Perto do fim de sua estada aqui no nosso planeta Terra, Jesus disse aos seus discípulos: "Foi me dada toda a autoridade no céu e na terra", conforme se lê, no evangelho de Mateus no capítulo 28, versículo 18. Estava Jesus dizendo com isto que Ele é o Ser Supremo que possui autoridade sobre todos, tanto no céu como na Terra? Muitos acham que sim, na verdade a maioria dos que professam ser cristãos, citam tal texto para corroborar sua assertiva de que Jesus é a maior autoridade no Universo, tanto o visível como o invisível. Vamos analisar esta frase acima e outras passagens bíblicas para ver, o que de fato elas querem dizer, para não cometermos erros ou injustiças. Primeiro, Jesus diz textualmente: Foi me dada toda a autoridade. Com isto em mente, chega-se a conclusão lógica, que alguém com mais autoridade deu autoridade a Jesus. Quem dá, tem mais autoridade do que quem recebe, isto é uma coisa inegável, não há como se discutir. Sim, alguém muito Superior deu a Jesus Cristo, autoridade sobre seres, tanto nos céus, como também na terra, ou seja sobre todos os anjos e quaisquer governantes terrestres. Mas logicamente que quem dá esta autoridade a Jesus Cristo, não está sujeito a Este, muito pelo contrário. Como sabemos disto? Para sabermos a resposta, vamos recorrer as Escrituras Sagradas, lendo agora uma das cartas que o Apóstolo Paulo escreveu aos Coríntios ou mais precisamente, a Primeira Carta aos Coríntios Capítulo 15, versículos 27 e 28, lá Paulo fala claramente do grande poder que Jesus Cristo recebeu de seu Pai, mas vê-se que não é um poder ilimitado, absoluto ou supremo, leiamos tal texto para análise: "Pois Deus, lhe sujeitou todas as coisas debaixo dos seus pés". Mas, quando diz que "todas as coisas foram sujeitas, é evidente que se excetua aquele que lhe sujeitou todas as coisas. Mas, quando todas as coisas lhe tiverem sido sujeitas, então o próprio Filho, também se sujeitará Àquele que lhe sujeitou todas as coisas, para que Deus seja todas as coisas para com todos." Sim, seu Pai e Deus lhe deu grande autoridade para que todas as coisas ficassem sujeitas a Ele, Jesus Cristo, mas no texto vê-se claramente que o seu Pai e Deus é uma exceção a isto, não está nem nunca esteve sujeito ao Filho. Já o Filho, Jesus Cristo, quando ele terminar a sua tarefa incumbida  por seu Pai, que é Reinar por um período para reduzir a nada, todas as coisas ruins feitas pelo Inimigo da Vida, aí Ele, o Filho também se sujeitará a seu Pai e Deus, para que Ele seja todas as coisas para com todos, nesta ocasião não precisaremos mais de algum intermediário entre o Verdadeiro Deus e nós humanos, como hoje precisamos deste elo ou ponte de ligação para chegarmos a Deus, que é feito por esta Ser muito poderoso, que é o nosso senhor Jesus Cristo. Assim, concluímos que o Pai e Deus de Jesus Cristo, deu uma enorme autoridade a Este, depois que Ele se propôs e veio aqui a Terra e sacrificou-se dando a sua vida perfeita como resgate por nós humanos imperfeitos e que sem isto, não haveria possibilidade de salvação. Esta imensa autoridade, está acima de qualquer anjo celestial ou qualquer autoridade terrena existente, mas, logicamente não é uma autoridade absoluta, seu Pai e Deus é uma exceção, tem muito mais autoridade do que Ele, pois só Ele é o Ser Supremo, o único que possui autoridade absoluta.      

segunda-feira, 31 de março de 2014

DIREITO DO PACIENTE DE RECUSAR CERTOS TRATAMENTOS

                       

                             


Há uns tempos atrás, escrevia eu para um jornal digital e considerava assuntos que tem a ver com os direitos do paciente, tanto quanto no simples atendimento de uma consulta, ou quanto se encontrassem hospitalizados. Continuando neste tópico, na última coluna postada, falávamos do direito do paciente em sua plena capacidade de decidir, recusar-se a receber certo tratamento prescrito pelo médico ou hospital mas que para ele é objetável, seja por problemas de consciência ou outro qualquer mas apresenta como alternativa médica, um outro tipo de tratamento não tão difundido mas possível dentro dos procedimentos hospitalares, uma coisa razoável e científica, baseada em fatos concretos já utilizados por outros médicos de forma bem satisfatória e com êxito, portanto uma alternativa boa, que para o paciente no seu direito de decidir é a melhor. Até aí nenhum problema, pois o paciente é o melhor guardião de seu corpo e de sua saúde e tem o direito legal de decidir que tratamento deve aceitar ou recusar. Agora, imagine este mesmo paciente indo parar num hospital em estado de coma, mas por prevenção e garantia, porta um documento legal, em que especifica que tipo de tratamento quer receber caso fique inconsciente.  Um parente ou amigo, foi nomeado por ele procurador, através de um documento revestido das formalidades legais para atuar no caso de estar temporariamente sem capacidade de expor sua vontade ou desejo. Deve o médico ou hospital respeitar a vontade expressa do paciente em tal documento e corroborada por seu procurador? É claro que sim.  Não é por que alguém está inconsciente e não pode se expressar, que ele perdeu sua capacidade de decisão, ainda mais se ele se preveniu e fez um documento em que expressa a maneira em que quer ser tratado. Infelizmente alguns médicos, tem procurado a justiça para obrigar os parentes ou procurador nomeado a aceitarem um tratamento que seria recusável para o paciente. Alguns dias atrás, na qualidade de advogado, fui chamado por parentes de uma cliente que estava em coma num hospital, para ajudá-los na sua tentativa de fazer as médicas encarregadas do caso, entenderem e respeitarem os direitos dela, já que tinham uma procuração com firma reconhecida em que dava a um parente os poderes para decidir por ela, neste estado. Uma das médicas me disse, cheia de si, que tal documento não teria mais validade, por que a minha cliente agora estava inconsciente e este documento não falava por ela e que ela iria pedir a intervenção do Ministério Público para obrigar os parentes da minha cliente a aceitarem o tratamento proposto por ela. Falei-lhe que entendia sua posição, baseada no Código de Ética Médica, um estatuto que regula a postura dos médicos em sua profissão, mas que a minha cliente e seus parentes, tinham a garantir-lhe, não o estatuto de uma classe, mas a nossa Lei Maior, ou seja, a Constituição do País, como explicitado no seu artigo 5º, inciso II dos Direitos e Garantias Fundamentais. Disse-lhe ainda que a minha cliente através de seus parentes e o procurador, estavam recusando um tipo de tratamento específico e não todos dos muitos existentes. Voltando ao documento que ela disse não ter mais validade, lhe apresentei uma hipótese como argumento. - Se um parente seu, fizesse em vida um testamento particular, desses simples quase num papel de embrulhar pão e nele escrevera em letras mal redigidas, que lhe deixava por este testamento, tudo o que possuía, uma valiosa herança. Com a sua morte, você acha que deveria ser respeitada a sua vontade ou não? Ela me disse, meio constrangida, que sim. De pronto eu lhe disse:  - Se a vontade de um morto deve ser respeitada, muito mais é a de alguém que apenas momentaneamente está inconsciente, mas que deixou expresso por escrito como quer ser tratada. Ela não teve mais argumentos e dali pra frente, aceitou o desafio de fazer o tratamento alternativo proposto, respeitando assim o direito de tal paciente, minha cliente.

sábado, 22 de março de 2014

UM NOVO CAMINHO PARA A ÍNDIA







A história nos conta que o Brasil foi descoberto por que o navegador português Pedro Álvares Cabral, estava procurando seguir o caminho marítimo para se chegar a Índia, caminho este descoberto há dois anos antes por seu conterrâneo, o navegador Vasco da Gama mas devido a calmaria dos ventos as naus desviaram-se tanto de tal rota, vindo a parar na costa brasileira. Sim, houve um tempo em que a Índia com suas especiarias, tais como o cravo, a canela, a pimenta, o gengibre, o açafrão e outros condimentos era alvo de muitas viagens a princípio terrestres e depois marítimas, onde comerciantes iam na busca destas preciosidades, que dão tanto sabor e aroma aos alimentos, a ponto de serem consideradas o Ouro da Índia. Ainda hoje o mercado indiano, enche os olhos dos visitantes com suas cores vivas, além é claro do gostoso aroma emanado de suas ervas. Infelizmente alguns povos se achando superiores em raça, escravizaram por muito tempo a Índia, até que Mahatma Gandhi através de uma onda de protestos mas sem violência e agressão, conseguiu desvencilhar os indianos do Império Britânico que os dominava. Hoje a Índia é um país pujante que abriga a segunda maior população mundial e tem uma boa renda per capita, embora haja grandes desigualdades, assim como no Brasil, onde uns poucos tem muito e a grande maioria não e alguns vivem até numa linha abaixo da pobreza. Para nós que estamos acostumados há um tipo de vida ocidental, há um verdadeiro choque cultural, pois o estilo de vida indiano é um verdadeiro contraste com a vida que levamos, onde coisas corriqueiras como um simples banho quente, lá não é fácil consegui-lo, nem se tem supermercados ou shoppings mas em compensação tem ótimas feiras com as suas cores exuberantes, onde se compra de tudo à preços bem baratos. Sim, conhecer a Índia e seu povo bonito com suas vestes coloridas e sempre sorridente apesar das dificuldades que alguns passam, nos fazem repensar os valores que damos aos bens materiais, ao conforto e o consumismo ocidental. Muitos tem aceitado o desafio e descoberto um novo caminho para a Índia, a fim de se familiarizarem e aprenderem desta vasta cultura milenar, coisas que para nós ocidentais nesta agitação e corre corre do dia, as vezes passamos por alto, mas que os indianos dão muito valor e prezam, que é toda a forma de vida, a família e coisas espirituais. Embora tenhamos um conceito diferente deles no que diz respeito a sua espiritualidade, pois temos forte convicção nos escritos e promessas bíblicas de que um dia iremos todos viver irmanados e sem barreiras raciais, neste belo planeta Terra, que será restaurado e voltará a ter condições paradisíacas, mas respeitamos com sinceridade o ponto de vista hindu e suas crenças. Temos plena consciência de que a cristandade é a grande culpada pela rejeição que os hindus tem à Bíblia como guia, rejeição esta, pela violência, racismo e opressão a que submeteu o povo indiano por muitos anos, razão porque muitos povos não veem com bons olhos os ensinos de Jesus, achando que eles não levam a paz, mas à guerra, principalmente a guerras de conquistas. Enquanto a cristandade promove as guerras, o verdadeiro cristianismo, sempre fez com que seus seguidores levassem uma vida pacífica, abstendo-se violência, agressão e qualquer envolvimento em guerras, preferindo antes serem presas, torturadas e até mortas do que matarem o seu semelhante, assim como também preconizava o líder hindu Gandhi, que sempre usava as palavras de Jesus, ditas há dois mil anos atrás no seu famoso Sermão do Monte, de que devemos amar não apenas os que nos amam mas também os nossos inimigos para provar que somos realmente filhos de Deus.          

quarta-feira, 19 de março de 2014

HÁ VIDA ALÉM DAS REDES SOCIAIS






Sou do tempo em que as pessoas conversavam com os vizinhos nos portões de suas casas até tarde da noite. Neste tempo as famílias sentavam-se à mesa para jantar e falar sobre os problemas do dia e quando chegava a época própria, os jovens namoravam de mãos dadas andando pela orla marítima ou dando volta pelas praças. Hoje para muitos, isto seria uma coisa totalmente ultrapassada, de um passado muito distante que não condiz com o mundo atual. Primeiro a televisão e depois a internet foi aos poucos separando os membros de uma família, esfacelando o aconchego familiar, fazendo com que as pessoas de um mesmo lar, se isolem nos seus aposentos e tenham uma vida privada independente, onde virtualmente suprem as suas carências e necessidades emocionais com pessoas de fora, muitas vezes de lugares bem distantes. Depois com o surgimentos das redes sociais, aí é que a coisa degringolou de vez, as amizades virtuais passaram a ocupar o lugar dos amigos reais, dos colegas de escola, de trabalho, dos vizinhos e outros que contatamos no dia a dia. A cada dia que se passa, vamos nos enroscando mais e mais nestes meios de comunicação social, postando as vezes os nossos problemas íntimos ou a consecução de alvos atingidos no dia, à espera de ajuda dos comentários ou aprovação destes nossos "amigos", mesmo que seja com um simples click em "curtir". Isto tem feito muitos de nós prisioneiros desta teia à ponto de não conseguirmos passar um dia sem dar uma olhada ou mesmo postar algo. Logicamente que em tudo há o lado bom e o lado ruim, neste caso tem de haver equilíbrio e fazer bom uso desta ferramenta de comunicação entre as pessoas. Quem não descobriu através de uma rede social, pessoas que há tempos você não tinha qualquer contato e agora pode sempre falar com elas? Quantas coisas boas, inteligentes e de grande utilidade, você só ficou sabendo através das redes sociais? Foram e tem sido muitas. Em compensação, quantas pessoas tiveram a sua vida íntima e privacidade expostas a execração pública e por conta disto até cometeram suicídios? Um bom número, principalmente de ainda meninas que confiavam em seus "amigos" namorados e se deixaram filmar ou fotografar por estes na sua intimidade e não conseguiram segurar a barra. Um outro aspecto negativo é o tempo que nós perdemos bisbilhotando as redes sociais ou interagindo com alguém. As redes sociais são altamente viciantes, por isto despercebemos a quantidade de horas gastas, muitas vezes em assuntos triviais, bobos, de nenhuma utilidade a não ser, satisfazermos o nosso ego que é ter a aprovação de feitos postados. Sim, a nossa carência neste sentido de esperarmos ter aprovação de muitos, para sentir-nos bem e a falsa impressão de que somos queridos, demonstra de um certo modo a nossa fraqueza, da dependência ou opinião dos outros para sermos felizes. As redes sociais de uma certa forma passaram a atuar como nossos psicólogos, onde pessoas estranhas nos ajudam a conviver com as nossa crises emocionais e existenciais. Isto acaba sendo um grande perigo e os danos podem ser bem desastrosos, pois os conselhos muitas vezes vem de quem não está apto a fazê-lo. Por isto é bom lembrar que a vida com suas belezas e o tempo são as coisas mais preciosas que temos, nada os pode suprir ou substituir. Assim, ao invés de termos uma vida totalmente virtual que nos isola da vida real, do viver no exato sentido da palavra, que optemos pela última, pois com certeza há muita vida agradável e boa fora das redes sociais, pronta para serem vividas, basta de vez em quando darmos uma trégua e sairmos da frente de nossos aparelhos de comunicação e usufruí-la.      

quarta-feira, 12 de março de 2014

VOCÊ PRESTA A DEVIDA ATENÇÃO AO QUE UMA CRIANÇA LHE FALA?




É bem provável que você responda que sim, que tudo o que seu filho, seu sobrinho, seu neto ou outra criança qualquer lhe fale ou lhe pergunte, você dá a devida atenção para depois responder corretamente. Até pouco tempo atrás, eu também pensava que agia assim, que estava sempre atento as perguntas dos meus filhos e agora dos netos e os respondia à base do que eles me indagavam. Ultimamente tenho visto que minhas respostas a eles não tem sido boas, quase sempre são mecânicas, monossílabas, de um sim ou um não, como para me livrar de ser importunado por frases ou pedidos que eu achava tolos, sem se dar conta do que eles estavam realmente me falando ou pedindo. Por conta disto em algumas ocasiões fiquei enrascado, por que eu aquiesci com os pedidos deles, sem ver a profundidade das coisas e me dei mal, por que a palavra dada deve ser cumprida. Com minha neta de quatro anos então, eu tenho que ter mais cuidado ainda, por que ela não pensa como uma criança de quatro anos mas como uma quase adulta e faz altas indagações. Assim, depois de que ela me fala alguma coisa e eu dou uma resposta pueril como se tivesse entendido o assunto mas na verdade não entendi nada, ela vendo a bobeira e falta de razoabilidade da minha resposta, diz de pronto: - Qual a parte que você não entendeu do que eu falei?  Aí, para não pegar mal, de ser criticado por uma criança de quatro anos, eu digo apenas uma parte obscura da estória e depois que ela me esclarece o ponto nebuloso, eu tento concatenar as demais nuances do porque da sua pergunta, para não passar por tão bobo para ela. Sim, muitas vezes nós adultos achamos que crianças só falam bobagens, coisas inverossímeis e não lhes damos a devida atenção, quando na verdade nos dias de hoje as crianças estão bem mais antenadas do que muitos adultos e levantam questões sérias de comportamento humano, razão porque devemos refletir naquilo em que elas estão se expressando, para não passarmos por alienados. Isto me faz lembrar do relato recente de um garoto que estava na sala vendo o noticiário da televisão, enquanto sua mãe estava na área de serviço colocando roupas na máquina de lavar. De repente o garoto grita para a mãe: - Mãeeee, sumiu o Boeing! A mãe irritada com tanta roupa para lavar, lhe diz em resposta: - Vá tratando de encontrar esta tralha de boieng, porque se eu tiver de ir aí na sala e encontrar este negócio, eu vou lhe enfiar o boieng goela a baixo. A criança não entendeu nada do absurdo que sua mãe lhe dissera. Sim, muitas vezes nós falamos em respostas as nossas crianças, coisas absurdas, próprias de pessoas dementes que não sabem de nada e estão totalmente por fora dos acontecimentos recentes. Por isto, tanto eu como você que as vezes não damos muito crédito ao que nossos pequenos nos falam é bom daqui pra frente, prestarmos bastante atenção para não falarmos bobagens e passar por pessoas débeis que não sabem sequer dialogar com uma criança.        

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

QUANDO A FAMA CHEGA MUITO CEDO



Morreu esta semana, aos oitenta e cinco anos de idade, a atriz Shirley Temple, que encantou o mundo com os seus vários filmes, que começaram quando ela tinha apenas seis anos de idade. A talentosa atriz-mirim, com seu sorriso e seu sapateado, trouxe a alegria para as pessoas desesperadas, por conta da Grande Depressão que abateu sobre os Estados Unidos na década de trinta. Shirley foi também a criança mais fotografada no mundo inteiro. Conta-se que os seus cinquenta e dois cachos de cabelos, eram cuidados zelosamente por sua mãe, que tinha o maior trabalho em mantê-los sempre arrumados, sendo proibida pelos produtores de seus filmes de mergulhar em piscinas sem a devida touca para os protegê-los. Infelizmente ao crescer, sua carreira entrou em declínio e nunca mais fez o sucesso como fazia quando era criança, tendo que se contentar em seguir uma carreira diplomática, sendo nomeada adida cultural e depois embaixatriz em dois países. Um outro ator que também experimentou o sucesso ainda bem criança, foi o astro Macaulay Culkin. Começou atuando quando tinha apenas, cinco anos de idade e seus filmes da série cujo titulo em português é: "Esqueceram de Mim" foram campeões de bilheteria e o levaram ao topo das celebridades. Ao ficar adulto, ocasião em que desaparece a meiguice e graciosidade infantil, também desapareceu a sua fama, não conseguindo mais protagonizar um filme de sucesso, o que o fez enveredar pelo lado escuro da vida. A mesma coisa vem acontecendo com o cantor e astro, criado pela internet, Justin Bieber. No começo uma simples criança canadense, que através de um vídeo encantou a todos com sua voz e que conseguiu chegar ao estrelato e a fama, ainda bem cedo. As suas últimas notícias, nos dão conta de um rapaz que atravessa uma grande crise de existência e vem sendo alvo de vários inquéritos, acusações e até mesmo prisões. Sim, quando a fama e em consequência muito dinheiro vem cedo demais, a maioria destes astros infantis não sabem como lidar com tal situação e acabam metendo os pés pelas mãos, fazendo grandes burradas. As coisas pioram se com a idade eles perdem aquilo que mais agradava o público, que era aquele ar de inocência e o talento infantil. Logicamente que há exceções, muitos que conheceram a fama cedo, continuaram famosos pelo resto de suas vidas, embora enfrentasse outros problemas pessoais. É o caso de Judy Garland que também conheceu a fama bem cedo, quando era bem jovem. Até a sua morte prematura aos quarenta e sete anos de idade, sempre esteve no topo da fama. Infelizmente a sua vida pessoal, sempre foi cercada de crises emocionais e separações, ao ponto de morrer pelo uso de uma overdose acidental de medicamentos e drogas. Outra que conheceu a fama bem cedo foi a atriz Lyz Taylor ou Elizabeth Taylor. Com apenas dez anos de idade conheceu o estrelato, tendo se mantido assim até o fim de sua vida há poucos anos atrás. E que dizer do maior astro pop, Michael Jackson? Aos cinco anos de idade, junto com seus irmãos fazia parte do Jackson Five, ocasião em que começou a conhecer a fama. Ao partir para uma carreira solo, a sua fama e suas habilidades vocacionais de cantor e dançarino, só aumentaram com o passar dos anos, chegando ao lugar onde poucos puderam estar, ser consagrado como o Rei da Música Pop. Os vários problemas de saúde que enfrentou e as acusações e julgamentos por casos de pedofilia, fizeram dele uma pessoa triste que não acreditava mais nas pessoas e dependente de remédios fortíssimos que ocasionaram a sua morte, aos cinquenta anos. Tem também a atriz-mirim Drew Barrymore, que com cinco anos de idade, estrelou o filme E.T. que à época foi um grande sucesso e campeão de bilheterias. Como sempre a fama precoce lhe trouxe vários problemas em sua adolescência, mas agora parece que ela conseguiu firmar a sua carreira como uma boa atriz. Sim, de fato ser famoso é muito difícil para qualquer pessoa e se isto acontece muito cedo, trás enormes prejuízos a formação da personalidade da criança, que se vê privada das coisas características da infância, que é brincar, estudar, passear, fazer amiguinhos, estrepolias e coisas similares. A única exceção de verdade nesta grande lista de atores e cantores famosos mirins, que não teve problemas com a fama precoce e depois já como adulto, é o ator americano Mickey Rooney. Começou a ser famoso, não com alguns anos mas com poucos meses de nascido, atuando em cenas de bebês. E assim o vem fazendo por toda sua vida. Já atuou com algumas das mulheres citadas acima, quando elas eram crianças, tais como Judy Garland e Lyz Taylor, além da nossa inesquecível Carmen Miranda. Atualmente aos noventa e três anos de idade, Mickey Rooney continua ativo, podendo-se dizer dele que conheceu a fama muito cedo, ainda bebê de colo e ainda o é hoje, caso muito raro, neste mundo de famas passageiras, como o foi da sempre sorridente garota e agora já saudosa, Shirley Temple.
Obs: O astro Mikey Rooney, morreu dois meses depois que eu escrevi este link, com 93 anos de idade.