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terça-feira, 28 de dezembro de 2010

PROCURANDO ENTENDER O UNIVERSO FEMININO

Há uns dias atrás, uma conhecida me contou que estava lendo um livro cujo título era: "Os homens são de Marte, as mulheres são de Vênus", segundo ela, o autor procura demonstrar que homens e mulheres diferem em todas as áreas de sua vida. De fato, homens e mulheres se diferem em vários campos. Mas é justamente nas diferenças que reside a beleza do ser humano, não importando isto que haja um total conflito de interesses. Elas, as mulheres nos completam como um encaixe perfeito. Naquilo que temos carência, elas se sobrepõe e nos ajudam a ficarmos fortes, completos. Nós homens, precisamos deixar de sermos hipócritas e despertar para a realidade de como devemos enxergar o sexo feminino. Poucos de nós reconhecemos ou damos o devido valor de que sem elas não conseguimos viver. Somos completamente dependentes do seu afeto. Precisamos delas para perpetuar o nosso sobre-nome. O mundo fica mais doce quando elas estão por perto. Muitos de nós  homens ainda trazemos o ranço de que lugar de mulher é na cozinha ou cuidando da casa  e da família. Quando no trânsito vemos algum "barbeiro" logo dizemos que é alguma mulher que está atrás do volante. Quando constatamos que é um homem o tal mau motorista, dizemos que ele dirige igual a uma mulher. Por estes e outros preconceituosos comentários eu mesmo reconheço a "mea culpa". Sempre imputamos ao sexo chamado de "frágil" as mazelas da vida, quando na verdade e na maioria dos casos nós varões é que somos os vilões. Infelizmente por tantos anos de repressão e tratamento injusto, muitas mulheres foram á luta para desmistificar tais conceitos. Muitas foram ao extremo de quererem ser iguais aos homens, nivelando-se por baixo, naquilo que era a nossa fraqueza ou lado ruim, qual seja de sermos a maioria infiéis, falta de respeito para com as virtudes do casamento, elas não só procuraram copiar mas excederam na sua ânsia de imitarem os homens. Com isto, as mulheres que antes ficavam na defensiva e tinham uma atitude totalmente passiva na relação com os homens, partiram para o ataque, como se fossem caçadoras e não como deviam sempre ser, objetos valiosos a serem conquistados. Ao inverterem-se os papéis, hoje muitos de nós homens as vezes nos sentimos acuados, tendo até de provar que tal atitude não tem nada de "gay", o fato de não aceitarmos tal assédio ou proposta explícita. Com isto sumiu o romantismos que antes existia como parte do jogo da conquista feminina. Também desapareceu ou ficou fora de moda o cavalheirismo. Já vai longe o tempo, em que nós homens nos esmerávamos  em atos tais como: abrir  a porta do carro, puxar a cadeira em restaurantes, ceder lugar em condução e outros. Hoje, as mulheres que saem com seus acompanhantes masculinos, racham ou pagam toda a despesa coisa impossível de se imaginar a poucas décadas atrás. As mulheres naquele tempo, só levavam as suas bolsas com coisas femininas e nada mais. As mulheres estão se esquecendo da grande arma que possuem que é serem elas os alvos da conquista e da sedução. Gostaria eu, que as mulheres que a cada dia ficam mais bonitas e sedutoras, voltassem a ser como eram antigamente: femininas, delicadas, vasos valiosíssimos de porcelana chinesa, verdadeiras musas inspiradoras de poetas e não como muitas são hoje, com excesso de testosterona em seus corpos másculos e aquela voz áspera. Lembrem-se de que muitas guerras foram travadas por causa de vocês mulheres, muitos reinos foram conquistados por conta vocês, muitas cabeças rolaram por sua causa, por favor continuem a ser este tipo de pessoa tão admiradas e necessária. Não acho que John Gray tenha captado de forma correta a origem tanto de homens como de mulheres. Não me situo como vindo de Marte. Tenho a  sensibilidade  de estar mais perto de Vênus, embora todos nós, homens e mulheres, somos feitos do mesmo barro aqui da Terra. Procuro compreender o universo feminino, com um olhar benévolo, sabendo das suas enormes dificuldades por conta dos preconceitos e dos seus ciclos mensais em que muitas nesta ocasião, descem ao fundo do poço. Fico quieto, calmo, esperando que elas próprias, com sua garra, tal como uma Fênix, renasçam lindamente e encham nosso mundo de cores exuberantes e da mais pura alegria. Meus parabéns pra vocês, mulheres do meu mundo.          

AH! O AMOR...ÊSSE SENTIMENTO INCRÍVEL

Quando eu era hippie, o lema básico era "make love, not war". A frase criada por Gershon Legman ativista contrário a guerra do Vietnam, serviu de slogan para o movimento da contracultura americana dos anos sessenta, bem como a revolução sexual. Sim, a ordem era fazer amor para se opor a guerra. Esta ordem de fazer amor tem uma conotação diferente da de "se ter amor ou amar". Esta mais ligado ao amor "eros" ou romântico,  que tem a ver com sexo. Ainda hoje, as pessoas confundem amor, com sexo. São coisas que podem estar diametralmente opostas, ou seja alguém pode fazer sexo sem ter amor ou pode amar, sem fazer sexo. Sendo assim, o que é este tipo de "amor" diferente que pode existir, entre um homem e uma mulher, sem que necessariamente haja sexo? O amor verdadeiro entre um homem e uma mulher é algo muito sublime, envolve os sentimentos mais nobres da pessoa em relação ao objeto do seu amor. A pessoa que está amando tem os seus sentidos voltados para o ser amado. Tudo nela é feito com a intenção de agrada-lo. Os pensamentos, as ações e os sentimentos íntimos são todos carreados para a pessoa a que se ama. Aquele que está amando vive em estado de graça, vendo o mundo de uma forma totalmente diferente, colorida, onde tudo é belo, a vida se transforma num mar de rosas. Se aquele que ama for correspondido no seu amor, atinge-se ao ápice. É a fase do encantamento, do só vou se você for. É muito gratificante quando se ama e é amado. Nada supera em grau de felicidade, quando isto ocorre. Infelizmente em muitos casos quando se chega ao ponto mais elevado da forma do amor romântico, existem nuvens negras que podem até destruir o amor alcançado. São sentimentos negativos que roubam a felicidade. Um desses sentimentos é a perda do equilíbrio do amor por um ou ambos. O amor se torna tão forte que vira uma paixão. Embora muitos casais desejem ficar apaixonados um pelo outro, tal situação pode levar rapidamente ao fim do amor. A paixão é como um fogo que precisa ser consumida e quando isto acontece, o amor acaba. Todas paixões avassaladoras não perduram por muito tempo, logo vem a saturação, porque ninguém aguenta ficar em êxtase o tempo integral, há de haver uma pausa ou descanso. O ser apaixonado fica cego não vendo o óbvio que todos os que estão de fora veem. O amor verdadeiro é equilibrado e enxerga os defeitos que todo o ser humano possui. Não vive fora da realidade, esperando a perfeição de comportamento do ser amado, reconhece que ninguém é perfeito assim como ele próprio não o é. Um outro sentimento negativo que destrói o amor é o ciúme doentio. Ter um ciúme saudável, demonstra preocupação e interesse pelo ser amado e é uma das provas do amor. Agora, o ciúme doentio é destruidor do amor. Este tipo de ciúme demonstra total falta de confiança no ser amado. Não acredita nas suas justificativas por mais que sejam verdadeiras. A pessoa tem que sempre estar tentando provar que não fez isto ou aquilo. Depois desta verdadeira inquisição e comprovada a inocência, vem aquela frase famosa da pessoa arrependida pela desconfiança infundada que é: "mas eu te amo", o que não significa a verdade senão não agiria assim. Promessas feitas de mudanças mas nada muda, a desconfiança só cresce com o passar do tempo. A pessoa ciumenta do tipo obsessivo não respeita os limites naturais de privacidade da outra pessoa tentando controlar todo o seu ser e a sua individualidade. Se pudesse controlaria até os pensamentos da outra pessoa. A pessoa assim, não encontrando falhas no outro, engendra coisas torpes só para justificar o seu comportamento e dizer que estava com razão. É uma pessoa totalmente infeliz e doente, que faz adoecer o ser amado; que não confia em ninguém, vendo coisas ou tirando conclusões que certamente acabam com o amor que um dia existiu, por maior que este tenha sido. Chega a ser um pesadelo aquele que vive tal "amor ciumento". Possuir tal tipo de ciúme é próprio de uma pessoa passional, que pode em nome do "amor" cometer uma loucura que é matar o ser objeto de sua paixão desvairada. Somente o amor verdadeiro, equilibrado, livre destas coisas negativas pode permanecer, fazendo com que os enamorados vivam um romance eterno, tranquilo, o que acontece só num bom casamento, que é a forma correta do envolvimento de duas pessoas que se amam, onde não há dores de consciência por um comportamento errado, que usurpa o direito do outro. Que um dia, eu, você e todos nós possamos viver tal tipo de amor incrível, pois merecemos isso.    

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

PONDO O DEDO NA FERIDA

De vez quando nos machucamos, seja por algum descuido, seja por essas coisas que acontecem independente de nossa vontade e quando vemos temos um grande ferimento no corpo.Quase sempre quando temos uma parte lesionada é aí que nossos amigos ou outras pessoas cismam de tocar a mão ou um dedo, agravando a nossa dor. Desculpas pedidas e aceitas, por desconhecerem eles o nosso machucado, mesmo assim por algum tempo padecemos os males daquele toque. De maneira simbólica tanto o nosso eu íntimo como a sociedade em geral sofre de algum ferimento e fica vulnerável a toques, como aquele "calcanhar de aquiles". Só que, longe de ter apenas um grande problema a sociedade sofre de inúmeros males. O nosso planeta tem problemas gravíssimos que colocam a sua  sobrevivência em risco. Para ajuda-lo existem várias pessoas e comunidades que se propõe a lutar para minimizar os males, tais como, o Greenpeace, os médicos sem fronteiras, os defensores da Amazônia, das baleias, das tartarugas marinhas, os vigilantes do clima, os ambientalistas e até os defensores dos cachorros abandonados. É muito louvável o trabalho destas pessoas, seja de forma individual, seja através de Ong`s., mas ainda assim os problemas pioram e se agravam a cada ano. O ser humano, pior do que muitos animais é que corre o maior  risco de extinção.  Isto porque, o que a sociedade humana sofre é de um tipo de doença qual um câncer já com várias metástases espalhadas pelo corpo inteiro. Estas ajudas que muitos fazem, minorizam os sofrimentos de algum setor mas são remédios apenas paliativos, tais como os chazinhos, são de pouco valor já que  não extirpam o mal. A cura total está fora de nosso alcance e é necessária uma grande cirurgia para extirpa-la . Isto porque, a sede de todos os males está no nosso íntimo. É lá que está a causa. Precisamos erradicar o mal dos nossos corações e isto não conseguimos sozinhos. Embora anelamos o bem, fazemos coisas que demonstram o contrário. Pregamos moralidade mas no fundo somos imorais. Perdemos a coisa básica que é o senso de  VALORES. Já não sabemos o que é certo ou errado, vivemos como que jogados pra lá e pra cá ao sabor de várias filosofias conflitantes. Nós pais, que temos a obrigação de educar os nossos filhos para que eles sejam pessoas de bem e bons cidadãos, não podemos  mais disciplina-los mesmo que de maneira equilibrada e correta, pois se assim o fizermos, poderemos sofrer algum processo por abuso de autoridade, acarretando até a perda da sua tutela. Com isto os nosso filhos não tem mais  limites e o que estamos vendo é uma geração totalmente alienada com respeito a leis, fazendo coisas absurdas em nome de uma liberdade irrestrita. De vez em quando a sociedade se mobiliza para extirpar algum mal localizado, como foi o caso, da expulsão dos bandidos do Complexo do Alemão e outras comunidades. Foi um espetáculo, com manchetes no mundo todo. Enquanto os holofotes da mídia estavam focados lá, vimos vários capitães ou agora coronéis "nascimentos" transformados em heróis da noite pro dia. Mas vimos também alguns excessos. Alguns bandidos, mesmo tendo se entregado espontaneamente eram humilhados e expostos como que troféus numa atitude de total desrespeito pelo ser humano. Nada justifica tal proceder. A perda de valores faz com que nos igualemos a pessoas do mal, fazendo coisas erradas, do ponto de vista moral. Temos de querer e ansiar pela justiça mas não podemos fazer atos injustos, sob pena de cometermos um crime maior, que é fazer justiça pelas nossas próprias mãos. Temos de recobrar os valores perdidos, sob pena de perecermos como pessoas que não merecem mais viver. 

sábado, 25 de dezembro de 2010

PORQUE ALGUNS ESCOLHEM FICAR COM A MENTIRA?


Fica difícil entender porque alguns escolheriam a mentira ao invés da verdade como modo de vida. Vamos aos fatos, porque talvez isto acontece. É celebre a frase de Jesus: "E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará". Muitos a usam de forma a justificar a sua verdade particular, qual seja, a de que ao aparecer a verdade, ela desmascarará a mentira dita por outros, libertando com isto a  pessoa de alegações mentirosas e hipócritas, que detraem a sua imagem. Num sentido mais amplo e que tem a ver com o real significado das palavras de Cristo é: a verdade libertaria as pessoas de ensinos falsos que prendem as pessoas, quais grilhões ou correntes. Para entendermos melhor isto, temos de fazer alguns questionamentos. Primeiro: O que é a verdade? Segundo: Como ela nos liberta? Quando Jesus foi levado preso perante Pôncio Pilatos, ele lhe disse que veio ao mundo para declarar a verdade e este lhe perguntou: - O que é verdade? Sabendo que Pilatos lhe fizera aquela pergunta apenas por perguntar e não como alguém que quer saber a verdade para depois praticá-la, Jesus não lhe respondeu, permaneceu em silêncio. Mas não fez assim com os seus apóstolos e discípulos, ele lhes deu informações detalhadas das verdades acerca de seu Pai celestial, de como conhecê-lo, o que é o Reino de Deus, qual é o propósito da vida e como podemos obtê-la para sempre. Este conjunto de conhecimentos contidos na Bíblia é então tido como VERDADE. Vivemos cercado de mentiras, tida por alguns como "verdades". Alguns ao tomarem conhecimento das verdades puras contidas na palavra de Deus, se libertam dos ensinamentos mentirosos e passam a praticá-lo imediatamente. Outros não. Mesmo já tendo um conhecimento bastante razoável das verdades bíblicas, preferem ficar em cima do muro ou pior ainda pulam para o lado errado, o da mentira. Os que ficam em cima do muro, tem sempre dúvidas, querem encontrar chifre em cabeça de cavalo para justificar a sua indecisão. O unicórnio não existe, é lenda. Não dão um passo para eliminar suas dúvidas. A dúvida alimenta o seu modo de ser, desta forma têm sempre uma desculpa para não tomar uma posição a favor da verdade. Porque se dá isto? Existem alguns fatores. Primeiro: Em contraste com a mentira, a verdade é simples e direta. Não necessita de rodeios, não precisa  dourar a pílula. Muitos não gostam disto, preferem o mistério a elitização do assunto, as respostas simples e diretas da Bíblia, não os satisfazem. Segundo: O tempo de duração. A mentira foi lançada  lá no início da raça humana, por isto da dificuldade de erradicá-la, uma mentira há muito tempo estabelecida passa a ter caráter de "verdade" e é uma luta para destruí-la.  Terceiro: Pessoas influentes e tidas como sábias do ponto de vista humano, quase sempre endossam conceitos mentirosos, por conta disto, muitos  são os que o apoiam, por verem neles como intelectuais, a frente em pensamentos de pessoas normais, verdadeiros formadores de opinião, então o que eles dizem é o "supra sumo da sabedoria". Quarto fator: Tradição. Este conhecimento que passa de geração a outra geração cria "verdades" fazendo com que muitos não questionem o que lhes foi passado pela geração anterior. Dizem: -Nasci assim e vou morrer assim. Isto é uma verdade, se não mudarem as suas opiniões irão morrer mesmo. Existe um provérbio que diz: "só os tolos não mudam". Se me provarem que aquilo que eu acredito é falso, se eu continuar mantendo a mesma opinião e não mudar, sou tolo. Quinto fator: Amizade. Todos nós temos amigos e gostamos de suas amizades, na verdade necessitamos da amizade de amigos verdadeiros e não estamos dispostos a mudar se nossos amigos não aceitarem tais mudanças, preferimos ficar do seu lado e até morrermos do seu lado, a fazermos mudanças que afastem nossos amigos. Pense: se você não mudar,  talvez os seus amigos não vão ter a oportunidade de conhecer a verdade e também de mudarem e com isto  talvez  venham a perder a sua vida. Não seria melhor ganhar a vida junto com seus amigos? Mas se nenhum deles ficarem do meu lado? Com certeza muitos outros amigos sinceros aparecerão, suprindo os que você perdeu, no fundo se isto se der, eles não eram bons amigos. Sexto: Vergonha. Enquanto a mentira é adocicada e tem milhares de seguidores,  a verdade às vezes é acida e poucos estão dispostos a digeri-la. Por conta disto, muitos têm vergonha de dizer que a apoiam,  já que é tão criticada e nem querem ser identificados como a apoiando, mesmo reconhecendo que ali está  a verdade. Estes são alguns fatores que levam muitos a escolher a mentira como modo de vida ao invés da verdade. Não têm coragem de enfrentar os obstáculos, de remar contra a maré, de ser diferente da maioria das pessoas, de estar no caminho estreito que leva a vida. Preferem o modo fácil de viver, sem ter que enfrentar opiniões contrárias, mesmo que encarcerados em ensinos falsos e não na liberdade daqueles que não se acovardam diante da oposição e até mesmo da morte. Jesus disse que os verdadeiros adoradores de seu Pai seriam pessoas odiadas, assim como ele foi até pelos que dizem adorar a Deus. Que você não seja a pessoa que prefere a forma mentirosa de viver, impregnada de ensinos e preceitos pagãos mas que seja a pessoa que ame a verdade que liberta e que um dia possamos viver livre pra sempre de mentiras, já que o Pai da mentira não mais existirá.

domingo, 19 de dezembro de 2010

VIDAS VAZIAS


Num final de semana, quando vinha à noite com minha família de uma festinha, ao parar no sinal da Praça. Demerval Barbosa Moreira em Nova Friburgo, tive a minha atenção despertada pela multidão que se concentrava na Rua Monte Líbano. A maioria dos que lá estavam eram jovens, bem jovens. Ao ouvir as suas risadas e alguns gritos, dava para sentir que estavam bem animados. Muitos portavam garrafas de bebidas alcoólicas. Vendo este quadro, me lembrei dos meus tempos de juventude, quando a vida era uma grande festa e não havia nada que pudesse obscurecer o horizonte. Possuía vigor físico, algum dinheiro e muita disposição para qualquer festa ou programa de embalo. A única coisa que eu estava fora era o uso imoderado de bebidas e de qualquer tipo de droga. Isto porque, eu nunca precisei ficar chapadão para me divertir. Acho um absurdo você não saber o que fez ou o que fizeram com você. Apesar de toda a curtição que podia ter, eu não era feliz. Não encontrava nestes locais amigos verdadeiros ou pessoas que gostaria de privar a amizade para sempre, eram apenas pessoas "da hora". Quando eu vinha para casa, via que quando a euforia e a emoção acabavam, eu me sentia vazio por dentro. Por melhor que fosse a festa e o programa, não sentia nenhuma satisfação,  na verdade era uma grande frustração. Por mais que eu tivesse satisfeito em termos físicos, faltava-me algo que eu, na época, não sabia explicar. Não possuía nenhum objetivo além da diversão e do prazer. A minha vida era vazia, sem conteúdo. Felizmente a tempo, consegui enxergar uma luz no final do túnel e fiz as mudanças necessárias. Ainda gosto de festas e de alguns prazeres que a vida proporciona, não sou nenhum asceta para viver isolado, como num monastério. Mas passei a ser seletivo em tais coisas. Não vivo como se fosse o último dia e queira aproveitar tudo, ou seja, igual aquele pintinho que descobre o lixo e faz a festa. Não quero com isto julgar as outras pessoas que pensam ao contrário e que acham que a vida é curta e deve ser vivida intensamente, sem nenhuma restrição de quem quer que seja. Se isto as fazem completamente felizes, ótimo, que continuem assim. Saibam que este pensamento não é novo, alguns filósofos epicureus já diziam: "comamos e bebamos, pois amanhã morreremos". Estranhamente, muitos dos que vivem assim dizem que são religiosos, que creem em Deus e que Deus está do seu lado. Acham mesmo que, por mais que façam coisas erradas, Deus vai perdoá-las, pois este é o papel de Deus. Com tal pensamento, imaginam que Deus possa ser sempre tolerante e facilmente enganado pela promessa de mudanças. Um raciocínio enganoso e mortífero. Muitos talvez digam: "mas você quando era jovem viveu assim e agora quer nos impedir de aproveitar a juventude" ou "você já foi um incendiário e agora virou  um bombeiro". Sim, eu concordo, mas os tempos eram outros e felizmente houve tempo para a minha mudança. O mundo que agora vivemos não tem muito tempo. Nós estamos vendo isto todos os dias nas manchetes de jornais e em outros meios noticiosos. Não é querer ser fatalista, a tempestade já bate à nossa porta, o ecoar de trovões já perturba nosso sono. O nosso belo planeta não suporta mais tanta destruição e poluição. Por isto, o Criador vai tomar as providências necessárias antes que o homem o destrua.  Nadar numa bela piscina num dia bem quente é muito bom, mas se esta piscina está num navio que está prestes a ir ao fundo do mar não é a hora apropriada para tanto, o melhor é procurar um colete salva vidas e um bote, a piscina não é algo assim vital,  pode ficar para depois, numa outra ocasião. Devemos ficar alertas aos acontecimentos para vermos em que época estamos na corrente do tempo, para  não sermos pegos de surpresa, agindo e vivendo tolamente.   Esquecendo as questões filosóficas do tempo do fim e voltando ao nosso dia a dia. O final do ano esta bem próximo. Pra muitos, agora é o período de grandes festas e encontros em baladas regadas a muitas bebidas alcoólicas, drogas e permissividade. Tais festas não têm nada a ver com o verdadeiro cristianismo e sim com o arqui-inimigo de Deus, que quer fazê-lo crer que você tem direito a isto, você merece aquilo e que você também é filho de Deus e deve aproveitar. Ele só lhe mostra a isca deliciosa e não o enorme anzol que está logo atrás, bem camuflado. Cabe a você escolher o que quer da sua vida:  Se é verdadeira felicidade, alguém para se casar, estas festas não o levará a isto, pois são o lugar errado para a encontrar, agora, se é apenas diversão e satisfação sem limites, sexo sem responsabilidade, falsos amigos, uma vida vazia sem se preocupar com o amanhã, elas são o local ideal. Feita a escolha por esta última, então caia na gandaia e se esbalde de verdade, mas consciente pelo que você optou, sabendo que em tudo se paga um preço, muitas vezes alto demais, já que você está queimando o seu filme. Mesmo assim, desejo um bom engov para você.       

sexta-feira, 17 de dezembro de 2010

A PROPAGANDA ENGANOSA


Nasci com cinquenta e dois centímetros. Dizem que, por algum tempo, fui até maior que outros bebês. Mas até onde vai minha memória, eu sempre fui um pouco menor do que as outras crianças. O meu código genético, não sei se no meu caso chega a ser código, devia ter alguma falha nas instruções para as células que tem a ver com a altura e crescimento e, por isso, ficou reduzido a meros rabiscos. A partir de então, foi uma onda de apelidos que eu fingia não dar a mínima para não pegar. Nem vou relatá-los agora nesta altura do campeonato, porque sei lá se algum cola. Aprendi logo cedo a ter aquelas respostas prontas contra os grandões que queriam infernizar a minha vida, como por exemplo: - Você é grande, mas não é dois; quanto maior a árvore maior o tombo; os grandes perfumes estão em pequenos frascos; tamanho não é documento e outras baboseiras que foram feitas para compensar as nossas desvantagens. Havia algumas compensações. Os galalaus, quando vinham brigar comigo, não usavam pedaços de pau, canivete ou outros acessórios brabos, achando que era até covardia. Vinham sempre na mão. Eu como todo pequeno era abusado e partia de porrete ou outra coisa que podia ser usada para cima deles, que quando viam a minha disposição se mandavam. Agora no que eu ganhava mesmo era no grito. Acho que nesta parte meu DNA se excedeu na informação. Como eu berrava alto e grosso. A minha caixa toraxica até hoje tem sido minha melhor arma de defesa. Uns tempos atrás, eu tinha um escritório com uma sócia no Rio, composto de duas salas. Ela ficava na primeira sala e eu na outra, sem visão do público. Certo dia, então, entrou no escritório um bebum corpulento e começou a gritar e xingar, causando o maior tumulto. Ouvindo aquela balbúrdia, eu dei um berro desses de quebrar vidraças:   - O QUE É QUE ESTÁ ACONTECENDO AÍ? Quando o ébrio ouviu aquela espécie de trovão, imediatamente se calou e se mandou. A minha sócia foi até a minha sala e disse: - Ainda bem que você não apareceu. O cara além de bêbado era enorme, mas deve ter achado que você era igual ou maior que o Hulk. Se ele visse o seu tamanho te enchia de bolacha... Numa outra vez, eu e um descendente de alemão, com um corpo parecendo um armário de seis portas e com  dois metros e dez centímetros, estávamos na tribuna de um salão considerando uma importante revista, a de maior circulação mundial. O quase alemão com aquela vozinha e eu tendo que falar longe do microfone para não dar  microfonia. Terminada a nossa  parte, descemos e um visitante chegou e me disse categoricamente: - Vocês estão com a instalação trocada. Você está com a voz dele e ele com a sua. Vão tratando de trocar... Como é bem sabido, a comunicação é a alma do negócio. Por isto, os marqueteiros se especializam em vender um produto, por potencializar certas coisas e omitir outras. Nem todos se utilizam da propaganda enganosa ou que induza alguém ao erro, mas outros o fazem. Nós mesmos, às vezes, fazemos  isto,  por exemplo, quando temos de fornecer a nossa data de nascimento e queremos omitir a nossa idade,  relatamos apenas o dia e o mês, o ano que é a peça fundamental, silenciamos.  Eu me lembro que, alguns anos atrás, certo jornal vendia horrores só por causa da manchete.  Por exemplo, uma das manchetes marcantes escrita em letras garrafais era: "Cachorro faz mal a moça". Muita gente comprou aquela edição só para ver a notícia do cachorro tarado que havia atacado a jovem. Lá dentro do jornal, em letras bem reduzidas, havia a informação completa de que uma moça passara mal ao comer um cachorro quente. Sim, a propaganda enganosa vende e muito. No meu caso, uma das inúmeras propagandas enganosas que vendo é a minha voz que, por telefone, dá uma falsa informação de quem eu sou de verdade.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

OS DESAFIOS DE UM RÁBULA


O famoso escritor Norman Mailer disse certa vez, que se tornara jornalista e escritor porque não era tão esperto para ser advogado. De fato, para ser um bom advogado é necessário ter uma grande sagacidade para, em momentos desfavoráveis em que não há nada para apoiar sua tese, encontrar meios para tanto. Sim, é preciso às vezes tirar um coelho da cartola para virar o jogo. O bom advogado é aquele que em causas perdidas, ganha. Então, como eu que nunca fui esperto nem mágico poderia sobreviver numa profissão de águias, onde qualquer descuido poderia trazer a derrota para o meu patrocinado? Pensando nestas dificuldades, ao me formar continuei trabalhando num cartório e no banco por algum tempo. Ainda mais que eu não havia praticado como solicitador (hoje estagiário), portanto era um rábula. De vez em quando, alguém me cobrava os esforços que eu fizera para me formar e nada, pois eu continuava exercendo uma função burocrática. Assim, com os brios feridos, resolvi de uma hora para outra me demitir dos dois empregos e encarar os desafios da profissão. Depois de pegar a minha carteira na OAB-RJ passei a advogar, ou mais precisamente a ficar na expectativa de advogar, pois não possuía escritório, clientes e nem prática do ofício. Se com estas coisas já é difícil sobreviver, imagine sem elas e com uma família já constituída para sustentar. Pra não morrer de fome teria de matar um leão todo dia, mesmo quando não houvesse leão pra ser morto. Não ter a segurança dos emprego formais me fez ficar ousado para encarar quaisquer desafios. Não havia caso que me apresentassem que eu não estivesse disposto a resolver, desde que não fossem anti-éticos ou que ferissem a boa moral. Hoje, com a Internet, é fácil fazer consultas e ver como agir neste ou naquele caso, mas há décadas atrás não havia tal ajuda, nem alguém disposto a dar luz a cego. Desta forma, parti para a batalha lutando como se fosse só no braço, sem qualquer habilidade ou instrumento adequado para sair vencedor. Por mais incrível que possa parecer, ou talvez pela extrema necessidade de conseguir dinheiro para comer, nos primeiros embates processuais que funcionei, graças a confiança de pessoas que desconheciam as minhas limitações, saí vencedor e isto se espalhou. Assim, ganhando aqui, perdendo ali, venho tentando construir um nome, não de fama ou sucesso, mas persigo como objetivo básico na minha profissão, ser uma pessoa confiável, já que a maioria das pessoas por desconhecerem as verdades dos fatos, tem na figura do "advogado" como sendo um ser mentiroso e venal, o que para muitos é uma injustiça. Apesar de todas as coisas negativas que existe em qualquer ofício, não me arrependo da profissão que abracei. Sou advogado e gosto de advogar, não por causa de vantagem financeira que nunca tive, se fosse isto não teria saído do Cartório onde poderia chegar a titular do mesmo e estar vivendo nababescamente, mas antes pela oportunidade de ajudar pessoas e fazer amigos, o que tenho granjeado e muito, ao longo destes anos. Quando encontro algum jovem advogado já desanimado com os vários obstáculos e as dificuldades de um judiciário emperrado, lhe digo que espero trabalhar até morrer ou este velho sistema ser substituído por um outro onde não serei mais necessário. A maioria dos que se formam hoje, pensam logo em um cargo público, como promotor ou  Juiz. Tudo bem se esta é a vocação da pessoa, mas a maioria vai por conta da estabilidade. Um certo colega tinha uma frase assim: - JUIZ É O ADVOGADO QUE NÃO DEU CERTO. Nesta profissão há sempre coisas diferentes para você se renovar, se reciclar e aprender. É um eterno aprendizado, pois cada caso é uma experiência única e ímpar. Sei que não sou tão burro, possuo até um pouquinho de inteligência, mas tenho de admitir que existem muitos profissionais mais inteligentes e espertos que eu, por isto não posso me descuidar. Qualquer descuido e toda experiência vai ralo abaixo, numa fragorosa derrota jurídica. Ao me intitular como rábula, não estava pensando em algum nobre como o brilhante Evaristo de Moraes, que antes de ser um advogado legalizado já era um notável prático. Com o termo rábula eu me reportava a alguém inexpressivo e tolo, o que não deixa de ser verdade no meu caso. Mas que isto fique entre nós, pois um dia espero ser do tipo de advogado imaginado por Mailer, um cara bem sagaz.