sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011
A FUGA EM ZIG ZAG
A FALHA DE CARÁTER
segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011
A "FURIOSA" ATACA PELA MANHÃ
Morei por conta de estudar, um certo tempo numa cidade bem pequena em Carmo-RJ. A vida no interior era limitada e eu acho que ainda é, com poucas opções de diversão, por conta disto, você tinha e tem de arranjar algo para fazer, para preencher o tempo que não andava e não anda, ainda mais quando se é jovem, ai é que ele se arrasta. Por isto eu e mais uns amigos, fomos até a sociedade musical local, para apreendermos a tocar algum instrumento, que no meu caso o maestro optou por um clarinete de treze chaves. Depois das aulas teóricas de conhecimento e solfejo musical, passei para a aula prática. O instrumento que me foi cedido era novo e por conseguinte bem seco, não possuindo a sonoridade encontrada em outros instrumentos já amaciados. Aconselhado, muitas vezes, coloquei cachaça no clarinete para ele ficar mais macio, não sei se esta dica possuía algum valor real ou era simples boato de algum músico que gostava de beber. Depois de algum tempo de aprendizado, quando consegui ter uma razoável embocadura, recebi a incumbência de ser o quinto clarinetista da banda e passei a tocar não só na localidade, como em várias cidades fluminenses e da zona da mata mineira. Viajávamos de madrugada para as cidades e antes das 6:00 horas, lá estávamos perfilados, marchando de baixo de um foguetório danado, atacando num dobrado decorado, acordando todas pessoas pelas ruas onde passávamos, assim como acontece com todas as bandas que fazem alvorada. Em muitas cidades tocávamos na praça principal,onde havia um coreto. Só que em algumas tal coreto não possuía cobertura e ficávamos tocando debaixo de um sol causticante, que aumentava ainda mais o calor dentro daquela farda cinza chumbo, com um quepe do mesmo tecido, tipo comandante. Era o inferno de Dantes. Alegria mesmo era quando o maestro anunciava a pausa para almoçarmos. O almoço era sempre muito bom, numa mesa farta, normalmente num clube ou ginásio, com um período de folga depois, porque ninguém é de ferro. Quando na cidade havia um rio próximo, quase todos nós íamos para lá para se refrescar, deixando as nossas fardas penduradas nas árvores a beira do rio. O difícil nesses dias quentes era reagrupar o pessoal para enfrentarmos o sol da tarde. Era um tal de se esconder debaixo dos bambuzais, porque ninguém queria sair da água. Muitas das vezes a banda começava o programa da tarde faltando vários membros. A noite de cima do coreto começávamos a paquerar as garotas que estavam próximas, fazendo muitas vezes alguns destonar, sob o olhar e ouvido atento do maestro, que tudo percebia. O bom de tudo isto era que ao final, além do passeio, sobrava algum trocado, mesmo que fosse pouca coisa para mim o quinto clarinetista da sociedade musical. Um fato curioso aconteceu numa localidade me parece que Volta Grande em Minas Gerais. Debaixo de muitos foguetes, começamos a desfilar em passos rápidos pelo centro da cidade, fazendo a alvorada, acordando a todos, tocando um dobrado bem decorado. Nele havia uma parte em que o primeiro clarinetista fazia um solo em alguns pedaços. Me lembro então, que num determinado momento o maestro olhou para o primeiro clarinetista como a dizer, a banda toda está em suas mãos nesta hora. Ele então ao invés de tocar, gritou para o maestro, com aquela voz gozada, como se tivesse um ovo na boca, própria de alguém sem dentes: - Agora não posso..., minha dentadura caiu lá atrás... e alguém a chutou. Foi uma debandada e riso geral, com todos depois procurando a dentadura do primeiro clarinetista, que foi encontrada no meio de uma moita de capim. Ele apenas soprou os matos que estavam grudados nela e em seguida a colocou na boca. Depois de re-alinhar o grupo, o maestro levantou a sua vareta: - E É UM,... E É DOIS....E É JÁ, dá-lhe "furiosa" - pamparaam...paraampampampam, parampampam...pam...pam..pam...pam..pam...pam...pam!!!
O CASAMENTO IMPOSSÍVEL E A PROTEÇÃO DIVINA
Algumas vezes na minha profissão, fui procurado para resolver casos inusitados que eu nem sei se tem algum similar. Um desses foi quando uma senhora me procurou para resolver o problema de pensão do antigo INPS deixada por seu filho, que falecera alguns meses antes. Ele possuía três filhas da sua primeira união, só que se separou e passou a conviver com uma outra mulher perto da data de seu falecimento. A mulher com quem ele fora morar no final de sua vida, conseguira casar-se com ele. É conhecida a possibilidade jurídica de que alguém no seu leito de morte, não querendo que sua companheira fique desamparada, demonstre a sua vontade de casar-se com ela, porém o fazendo na presença de testemunhas, que irão depois, em um processo, dar validade ao aludido casamento chamado de "in extremis". Só que o casamento feito não obedecera as exigências legais e, por incrível que pareça, o filho de minha cliente falecera em fevereiro e a esperta casou-se com ele em julho do mesmo ano. Ou seja, o indigitado casou-se, ou mais precisamente foi levado ao casamento, cinco meses depois de sua morte. Não sei se por conta disto houve a famosa "lua de mel". Tal fato ou aberração jurídica se deu no Município de Caxias/RJ, onde muitas pessoas diziam naquela ocasião que "em Caxias tudo pode". Hoje eu sei que tal Município, um dos maiores e mais progressistas da baixada fluminense é governado por leis de um Judiciário atento, que jamais permitiria tal proceder de alguém assim em sua Comarca. Só sei que tal casamento foi anulado e a pensão foi revertida para as suas filhas, até que elas completassem a maioridade. Já havia passado algum tempo desde que solucionara o caso para minha cliente, quando antes das sete horas da manhã, ouço palmas em meu portão, numa casa no subúrbio do Rio. Minha ex-esposa, que estava grávida da minha segunda filha, fala aborrecida: - Quem será que vem tão cedo perturbar a gente? Será que não tem simancol? Vou até a porta da frente e abro uma janelinha no meio desta para ver quem está batendo palmas no portão. Depois de ver, digo para minha ex-mulher: - É a dona Josina, aquela que eu resolvi o caso de pensão para as netas dela. A minha ex fala: - Mas dona Josina tinha de vir tão cedo? Não dei muita atenção a isto. Me vesti e fui até o portão para abri-lo e atender a dona Josina Alexandre. Ela se desculpou por ter vindo a minha casa tão cedo, dizendo: - Dr. Paulo, fiquei preocupada que o senhor saísse, por isto vim neste horário, me desculpe. Eu lhe disse em resposta: - Não tem nada não, dona Josina, o dia está tão quente e não dá para ficar na cama muito tempo. Mas o que a senhora manda? Ela me disse: - Sabe aquele caso de pensão deixada por meu filho para as minhas netas? Os atrasados saíram agora. Eu lhe disse em resposta: - Fico contente com isto. Aí ela acrescentou: - Eu vim aqui para lhe pagar os seus honorários. Em adição eu disse que ela não estava me devendo nada, já que no início do processo ela havia me dado um dinheiro para as custas e sobrara o suficiente, que eu entendia ser o valor dos meus honorários. Ela disse: - Não, aquilo foi só para as suas despesas de ida a Caxias e custas, os honorários são outra coisa. Eu não sabia o que cobrar a dona Josina, porque do meu ponto de vista ela não me devia nada. Mas ela insistia: - Quanto? Me diz quanto é os seus honorários, Dr. Paulo? Naquela manhã eu estava praticamente duro, só com o dinheiro para comprar as coisas do café. Teria também de pagar naquele dia o aluguel da casa, senão me sujeitaria ao acréscimo da multa, o que seria bem difícil para mim, já que a casa fora alugada na época de vacas gordas, quando ainda trabalhava no cartório e era um aluguel bem alto. Mas nada disto justificava eu cobrar algo se, do meu ponto de vista, ela nada me devia. Quando minha ex-esposa me viu relutando em receber os honorários e sabendo que eu estava duro e nenhuma perspectiva de alguma importância para pagar o aluguel, se esqueceu do mau humor de acordar cedo, levantou rapidamente e foi falar com dona Josina, que ela já conhecia: - Oi dona Josina, tudo bem? Ela lhe disse: - Tudo bem e o neném para quando é? Em resposta minha ex disse: - Para o mês que vem, é uma menina. Eu vou fazer um café para a senhora. E saiu para a cozinha. Eu não sabia mais como explicar para dona Josina que ela não me devia nada e ela insistindo: - Quanto é seus honorários? Devido a sua insistência, falei um valor aleatório, só para acabar com aquele impasse. Quando eu disse o valor, dona Josina me disse de pronto: - O quê? Isto é muito pouco. Em ato contínuo, puxou de sua bolsa um bom dinheiro e me deu o dobro do valor que eu havia falado e chamou minha ex-esposa, que estava na cozinha preparando um cafezinho. Quando ela chegou com uma xícara, dona Josina lhe disse com um dinheiro na mão: - Isto é para a menina que vai nascer. O total dado por dona Josina Alexandre foi a quantia exata para eu pagar o aluguel da casa. Só posso atribuir isto a uma proteção divina, o fato de alguém vir a minha casa tão cedo pagar algo que eu não esperava e nem me devia e no valor exato que eu precisava. Sou muito grato ao meu Deus Jeová, por ter sempre cuidado de mim nas minhas tribulações, muito mais do que mereço.
sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011
HISTÓRIAS DO MG E EU
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
FESTA NO INTERIOR E AS ARTIMANHAS DE UM GAROTO ESPERTO
terça-feira, 1 de fevereiro de 2011
AS CURIOSAS E O SAPATO FURADO
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