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quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

A VIDA É UM CALEIDOSCÓPIO

A reflexão da luz sobre um objeto óptico espelhado, contendo vários pedaços de vidro de diversas cores, produz uma ilusão ótica infindável. A cada pequeno movimento que se faz com o objeto, novas formas de desenhos vão surgindo e não existe fim para as possibilidades que se apresentam. Isto é um caleidoscópio que pode parecer um objeto de brinquedo, mas contem princípios de física. A nossa vida é tal qual este objeto, basta uma pequena mudança e novas facetas vão surgindo nela, com inúmeras possibilidades. Sim, não é preciso fazer grandes manobras para que as coisas mudem completamente do foco central. Uma mudança, leva a outra e esta a outra e aí vai surgindo um leque de possibilidades, que não terminam nunca. Logicamente que no caleidoscópio é uma ilusão de ótica das muitas facetas refletidas num espelho. Mas na vida, também acontece ilusões de ótica não por causa da reflexão da luz, mas por conta de não se enxergar com os olhos da razão. Mesmo a nossa razão pode ficar obscurecida por alguma ilusão mal formada e aí vemos coisas que não existem. O objeto da ilusão, neste caso, normalmente é o coração, onde colocamos uma enorme nuance de cores, que transmitem ao nosso celebro, um fantástico mundo colorido. Este as vezes se deixa iludir por tais informações, fazendo que os neurônios produzam uma cadeia de felicidades e estado de graça. Mas, as coisas não ficam estáticas, paradas, novos movimentos e novas simetrias vão aparecendo, num verdadeiro turbilhão de emoções. De repente alguém, sem muito cuidado no manuseio das coisas íntimas, quebra a corrente de felicidade reinante, fazendo desaparecer o mundo colorido que nos envolvia, trazendo-nos de volta ao mundo real, sem as cores que se apresentavam para cada lado que virássemos. É certo que fica difícil conviver com uma tv preto e branco, depois de se ter uma colorida. Mas, temos que ser quais lagartixas que se adaptam as cores da parede onde transitam para poderem sobreviver, comendo os insetos incautos que não veem o disfarce. Assim, vamos nos amoldando as circunstâncias que se apresentam e o nosso caleidoscópio fica reduzido ha poucas cores, sem muitas possibilidades de variação, tendo apenas o básico para a nossa sobrevivência. Mas como diz o congregante, mas vale um cão vivo do que um leão morto. Se ainda estamos vivos é motivo mais que suficiente para nos alegrar e já estamos no lucro. Assim, que nunca despercebamos disto, por lamentar um leite bom derramado, se ainda temos uma vaquinha magra para nos nutrir, mesmo que seja um leite minguado mais parecendo soro.       

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O FIM DA LINHA

Quando era garoto, por causa de colégio morei numa cidade do interior do Estado do Rio de Janeiro , Carmo, que faz fronteira com o Estado de Minas Gerais, ocasião em que fiz o primário e o antigo ginásio, hoje segundo grau. Mas nas férias, não havia quem me segurasse, ia passar com os meus pais no Rio, naquela época uma cidade mais do que Maravilhosa. Uma das coisas que me dava bastante alegria nestas ocasiões de férias no esticado verão carioca, além das praias era soltar pipas. Eu e meus irmãos, eles muito mais adestrados que eu neste esporte, passávamos o dia inteiro soltando cafifa, um tipo de pipa, que pode embicar até quase ao chão a fim de cortar as outras pipas que estavam no alto. Assim, comprávamos um rolo de linha de número 10, que é bem forte, passávamos cerol na linha (hoje uma coisa corretamente proibida) e depois de feita a rabiola e envergada a cafifa com a linha do cabresto, íamos para um ponto estratégico, onde havia vento e começávamos a descarrilhar o rolo, com a nossa pipa subindo bem alto. Para dar mais ímpeto ou atiçar algum medroso, que não queria subir a sua pipa perto da nossa, ainda cantávamos um verso, mais ou menos assim: - tá com medo tambarél minha linha é de carretel. E íamos cruzando cafifa com cafifa, cortando algumas e as vezes aparando as pipa boiadas pela rabiola, trazendo-as até o nosso ponto. O ruim do entretenimento é que quando para se livrar de uma pipa que a gente sabia ser superior, que fora empinada por linha de nylon e possuía até pedaços de gilete, amarrados na rabiola ou tentar cortar uma outra que estava num ponto aquém da nossa, tínhamos que dar mais linha e o nosso rolo apesar de muitas jardas, chegava no final, sem nenhum outro por perto para emendar os fios, era o fim da linha e adeus a nossa pipa que era cortada por outra, normalmente aquela sinistra que a gente temia. A única coisa a fazer agora, era puxar rapidamente a nossa linha que tinha cerol,  para não ser roubada quando passava em algum quintal onde havia garotos, que também soltavam pipas. Sim, o fim da linha que nos impossibilitava de sair vencedores no cruzamento de pipas nos deixava bem tristes. Hoje em sentido figurado, nas nossas vidas, as vezes vamos dando linha a nossa "pipa" para tentar fazer um cruzamento de ideias ou intercâmbio de relacionamentos com outras pessoas que estão como que com suas pipas no alto. Assim, damos linha aqui, tenteamos ali, embicamos acolá para que a nossa pipa possa ficar o maior tempo possível no ar e sempre perto de outras para um intercâmbio. Acontece que apesar de todo o  vento favorável que nos arrasta para longe, quase fora do alcance de nossas vistas, chega uma hora, que não se pode ir além do que já fomos e não podemos alcançar outra pessoa que está num ponto mais distante pois a nossa linha acabou. Não dá para fazermos mais concessões, isto porque não temos mais de onde tirar qualquer suprimento extra, pois este se esgotou, foi todo consumido numa completa doação, aí é o fim de tudo, da "pipa" simbólica que pretendíamos disputar, só resta assistir o nosso fracasso, vendo a mesma boiar ao léu, sendo disputada por outras pessoas e como diz um ditado "pipa voada não tem dono". Sim, de uma certa forma a nossa linha de paciência se acabou, não nos resta mais nada, para emendar, ou adiar o desenlace, nos damos como por perdida a "pipa" que íamos cruzar e aparar, pois para nós chegou O FIM DA LINHA.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

E A VIDA CONTINUA...

De repente somos sacudidos por uma triste notícia de que alguém, que era um grande amigo veio a falecer repentinamente, foi um infarto fulminante. O chão parece fugir dos nossos pés, pois ontem mesmo estava do nosso lado, brincando, todo cheio de vida. E ficamos incrédulos, nos perguntando: - Como se deu isto? Não encontramos respostas satisfatórias para coisas assim, perdermos alguém tão querido e de uma forma tão rápida. Fico eu remoendo de remorsos, por não ter sido tão amigável e receptivo da última vez que nos vimos, por achar que ele com a sua maneira de viver, era "imortal". Me parecia que ele tinha algum problema no íntimo e eu não fui suficientemente perspicaz para lhe prestar talvez a ajuda para aliviar-lhe o coração de uma sobrecarga emocional. Sim, muitas vezes estamos diante da pessoa que mais amamos, observamos o seu olhar, as suas palavras e o seu sorriso. Mais um pouco à frente é a única coisa que nos resta dela, a sua última lembrança. Gostaríamos de dizer-lhe tantas coisas, de abrir o nosso coração e demonstrar o quanto a queríamos bem mas o orgulho ou outro preconceito qualquer, trava a nossa voz e deixamos de fazer isto, pensando que no outro dia, numa ocasião mais oportuna o faremos. E aí acontece esta coisa absurda, sermos surpreendido por uma morte precoce, sem qualquer sinal de que estaria prestes a ocorrer. Mas a vida neste atual sistema é assim mesmo, não há garantia alguma de que amanhã vamos estar entre os vivos. Os maiores cemitérios das grandes metrópoles, estão hoje enterrando vária pessoas e muitas delas bem jovens, que ontem pensavam no primeiro emprego, de entrarem para uma faculdade, de casarem, de comprarem o seu primeiro carro, de fazerem uma grande viagem e outros projetos. Infelizmente não realizarão os seus sonhos, foram ceifados antes. Assim, se você gosta de uma pessoa, não espere para amanhã dizer-lhe isto, faça-o agora, pois amanhã pode ser tarde demais e ela nem ficará sabendo que é amada por alguém. Se você tiver que fazer o bem a alguém, faça-o hoje. Porque depois de morta a pessoa não terá mais consciência, nem precisará de mais nada e você ficará pensando o quanto poderia ter feito por ela e não o fez. O grande compositor Nelson Cavaquinho, já falecido, que eu tive a honra de conhecer pessoalmente na casa de meus pais, escreveu um música com o título: "Quando eu me chamar Saudade" em que em algumas partes de seus versos dizia: " Me dê as flores em vida, o carinho, a mão amiga, para aliviar meus ais, depois que eu me chamar saudade, não preciso de vaidade" e em outra parte diz: " Sei que ninguém vai se lembrar que eu fui embora, por isso é que eu penso assim, se alguém quiser fazer por mim, faça agora" Faço minhas palavras, os versos sábios de Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito, se alguém quiser fazer alguma coisa por mim, faça agora e não depois que eu morrer, por que na morte não verei nem sentirei mais nada. Sei que a vida continua e em pouco tempo serei esquecido, como salientou Nelson, serei apenas saudade para algumas poucas pessoas, portanto seria bem melhor, sabermos que somos amados e apreciados por alguém enquanto estamos vivos. Da nossa parte devemos procurar fazer o máximos para ter a nossa consciência tranquila de que enquanto a pessoa que amamos vivia, fizemos o nosso melhor, para demonstrar o quanto a estimávamos, o quanto era querida, para sentir-se amada de verdade e não por imaginar isto, de que alguém gostava dela.  

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

VIVENDO E APRENDENDO

Por mais que você já tenha vivido, nunca é o bastante para saber as coisas elementares da vida. A cada dia que se apresenta as coisas mudam, novas coisas vão surgindo, novas formas de pensar e agir aparecem e você fica perdido sem saber o que fazer. Olhar para trás e ver como você agiu neste ou  naquele caso, já foi uma boa orientação, mas agora pode estar totalmente fora dos moldes atuais por conta de uma nova filosofia de vida e de relacionamentos. As coisas que você fez de errado no passado e que você esperava nunca mais repetir, podem agora ser a maneira correta de agir, principalmente no assunto relacionamentos com pessoas do sexo oposto. As mulheres hoje não gostam dos homens tímidos, querem os atirados. No passado, aqueles tinham bastante valor e eram os mais procurados. Sim, a mudança mais radical que aconteceu nos últimos tempos, foi o comportamento e as atitudes das mulheres, que eram totalmente passivas. Era de bom alvitre as mulheres serem recatadas, ficarem na defensiva esperando que algum homem mais arrojado, iniciasse um dialogo afim de se relacionarem, dando início a um namoro. Hoje, isto está praticamente fora de moda. As mulheres estão partindo para à luta com todas as armas da sedução, deixando muitos de nós homens acuados, ante ao ataque maciço, não de uma, mas de várias ao mesmo tempo. A caça virou caçadora. Os homens antigamente cortejavam as mulheres, enviando-lhe flores, bilhetes e dando-lhe alguns presentes em ocasiões especiais. Era a época da conquista pelas demonstrações de ardor do seu amor. Hoje, esse homem está ultrapassado pela nova maneira de abordagem exigida pelas mulheres. Elas querem um homem de atitudes, que não fique comendo sopa pelas beiradas e vá logo ao ponto chave, fazendo valer a sua qualidade de macho. Hoje, para muitas mulheres a melhor qualidade de um homem não é o romantismo mas a "pegada". O homem pode ser um cafajeste mas se tiver "pegada" é o que vale para a maioria das mulheres. Também não é necessário o flerte e outras coisas preliminares para se chegar a conquista como havia antigamente, mas partir logo para os finalmente, este para a maioria das mulheres, tem que ser maravilhoso com aquele sabor de quero mais. Ainda bem, que ainda existem algumas mulheres á moda antiga, que são românticas, que apreciam atitudes de um homem cavalheiro, que gostam de receber flores e presentes inesperados, que desejam enfim se casar, coisa que está ultrapassada por muitas mulheres que preferem ser livres. Estas, as românticas, sem sombra de dúvidas são ou deveriam ser supervalorizadas pelos seus companheiros, pois sabem que tem na mão um tesouro raro neste mundo tão cheio de pedras falsas, que podem ter algum brilho é certo, mas sem o valor de uma joia verdadeira. Que as mulheres românticas, também saibam valorizar os homens que se portam da maneira de um verdadeiro cavalheiro, não levando em conta a conversa vã das outras que só vivem para contar bravatas de suas experiências sexuais com cafajestes, querendo com isto induzir a que elas mudem seu comportamento, o que de fato, caso isto ocorra, seria uma lástima e uma perda inestimável. Seria como um valioso brilhante, que de uma hora para outra, pudesse se estilhaçar e virasse imprestáveis e perigosos cacos de vidro.        

domingo, 19 de fevereiro de 2012

A RAINHA DA COCADA PRETA

                                               
Um dos piores defeitos de alguém é se achar que é melhor que os outros. A jactância pode ser por sua juventude, pela aparência, por posição social e outras coisas. Estas coisas acontecem não só quando alguém se exalta mas principalmente quando ela passa a rebaixar outra pessoa, ignorando-a, imputando-lhe defeitos ou falta de alguns predicados. As pessoas que pensam e agem assim deveriam pensar que nada é mais efêmero e passageiro do que a beleza e a juventude, então não há porque se jactar por isto ou detrair alguém por não as ter, como se estas fossem pessoas com o prazo de validade vencido. Se não houvesse a intervenção divina, como ocorrerá em breve, acabando com esta situação morredoura, todas as pessoas que estão vivas hoje, mesmo as crianças que estão acabando de nascer, daqui ha alguns anos todos estaríamos mortos. A pessoa que se acha ou é mesmo metida por usufruir agora de uma certa beleza, deveria se lembrar que está caminhando celeremente para a velhice, com as consequências desastrosas que esta trará para a sua beleza e por fim rumo a morte. Você hoje ainda é uma flor do campo, amanhã não passarás de uma tiririca do brejo e por fim serás jogada no lixo, como refugo. Se não existem outros predicados, além destes normais que a maioria possui quando se é jovem, a sua existência passará totalmente despercebida e poucos se lembrarão de quem você foi. Agora, se ao invés de beleza, a pessoa possui sabedoria, ela sempre será lembrada por suas idéias, pensamentos e conhecimento transmitido. Estas coisas o tempo não apaga com a morte, muito pelo contrário aumenta com o passar dos anos, chegando a alcançar várias gerações à frente. Estamos falando de verdadeira sabedoria e não aquela barata de colar, ou copiar frases ou pensamentos alheios, como se fosse uma copiadora ambulante, sem ter nada de seu, suas próprias idéias. Citar algum filósofo ou pensador para justificar ou robustecer as suas idéias é saudável e demonstra uma certa cultura mas ficar o tempo todo, só colocando frases alheias, sem emitir as suas próprias opiniões é falta de conhecimento e entendimento do assunto. Pior de tudo é que a pessoa as vezes se arvora ser alguma coisa, quando não é nada, sendo um simples cover. Por você as vezes fazer um certo elogio, ou tratar bem como se fosse alguém especial, você é incompreendido e até humilhado, por quem não tem nenhuma razão para jactar-se. Sim, muitas pessoas se acham a rainha da cocada preta, que estão por cima da carne seca e outras baboseiras, quando na verdade não são nada pois no fundo ninguém é nada. Aí, nesta condição, passam a diminuir a outras pessoas, menosprezando algumas, dizendo ou comentando com alguém que elas não têm "simancol" de quererem algo, que elas acham um absurdo ou estar num lugar onde não deveriam estar, como se elas fossem superiores e inalcançáveis por conta disto. Você que age assim, lembre-se: a beleza, juventude, posição social e tudo mais é ilusório e passará, mas a sabedoria não, esta é como os diamantes são eternos, além de terem um enorme valor. Assim, ao invés de cultuar a sua beleza, sua juventude, posição social, menosprezando e ridicularizando quem não mais as tem, revista-se da humildade e da modéstia, com isto você estará começando a trilhar o caminho da sabedoria e quem sabe um dia será lembrada como alguém de valor e não como um pequeno facho de luz, que brilhou por um curtíssimo espaço de tempo para um reduzido número de pessoas e que logo, logo se apagou para sempre. 

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

AINDA ESTÃO ROLANDO OS DADOS

O cidadão foi dado como morto. O médico meio inexperiente, depois de um exame superficial, assinou o seu atestado de óbito, dando como causa mortis, problemas respiratórios e uma parada cardíaca. Os parentes foram informados do ocorrido e depois de muitas lágrimas pelo desenlace, começaram os preparativos para o seu enterro. Quando o corpo estava na capela mortuária para o último adeus dos parentes e amigos, eis que o pretenso defunto, ergueu-se entre as flores e ficou sentado no caixão, causando um grande alvoroço entre os presentes. O que ocorreu? Ele havia sofrido de catalepsia patológica, uma doença que faz parecer que a pessoa está morta, mas não está e pode acontecer de ser enterrada viva, caso não recupere os seus sinais vitais a tempo, a fim de dar um basta naquela situação. Há uma alusão de que o ator Sergio Cardoso, teria sofrido de catalepsia e em consequência, sido enterrado vivo. Assim, as vezes acontece também conosco num sentido figurado, estamos como que sofrendo de catalepsia, sem conseguirmos fazer qualquer tipo de movimento. Muitas pessoas maldosas e cheias de inveja, por não verem nenhum sinal vital em nós, já nos dão como mortos. Para elas, não há nenhuma esperança para nós, pois todas as portas estão fechadas e as chaves foram jogadas fora. Não veem nenhuma saída e já se preparam para assistirem o último ato de nossas vidas. É como se todos os nossos órgãos sofressem de falência múltipla, não havendo nenhuma possibilidade de reverter o quadro. Só que, enquanto houver um mínimo e imperceptível sopro de vida em nossas narinas, ainda não estamos de verdade, mortos. Podemos recuperar a vida latente que ainda está em nós. Ainda existe o ânimus de vida, por mais tênue que seja a nossa linha da vida. As pessoas mais antigas, costumavam colocar um espelho junto ao nariz do defunto, para ver se este embaçava, caso isto acontecesse, por menor que fosse, o enterro era suspenso, pois provaria que a morte ainda não havia ocorrido. Assim, você que sorri com os meus fracassos, que festeja as minhas derrotas e já nos dá como um morto-vivo, que não quer nem esperar o laudo final para confirmar a nossa morte, por nos julgar totalmente falido, sem esperança, como sem chances nenhuma para um recomeço, preste atenção, porque os dados ainda estão rolando, a sorte ainda não foi selada. Muitas águas ainda vão passar pela ponte. Com certeza, quando os dados pararem, pode haver um assombro e mudar totalmente o desfecho final, do aparente fracasso e derrota que hoje se apresenta, para algo totalmente inesperado e surpreendente, como de um morto que se levanta do caixão, prestes a ser enterrado e causa um verdadeiro alvoroço, numa debandada geral..      

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

ADMINISTRANDO A VIDA

Os alpinistas tinham programado escalar uma gigantesca montanha íngreme até então inexpugnável, as Torres Trango no Paquistão, com quase 6.700 metros. Já estavam há quase 4.800 metros, quando se depararam com uma face dela abrupta e de granito, onde não havia condições de fixar os mosquetões com as argolas, além disto havia uma inclinação totalmente vertical com uma queda acentuada  para fora em sua parte mais elevada. Depois de confabularem, resolveram mudar o rumo de sua trajetória a fim de que pudessem chegar ao topo, porque com a trajetória original traçada não havia jeito. Assim, também acontece em nossas vidas. Fazemos programa para atingir certos alvos de uma certa maneira mas no desenrolar da vida, vamos tendo que ajustar os nossos rumos as necessidades, mudando o traçado original, ante a algum obstáculo intransponível que se apresenta. A princípio temos um plano "A" para as nossas vidas que gostaríamos de seguir a risca, mas as coisas não acontecem como  programado, assim, vamos ter de criar alternativas ou planos secundários tipo B, C e quantos mais forem necessários para nos ajustar as condições que vão aparecendo. Tendo em vista que a vida é uma caixa de surpresas onde não se pode programar algo, com uma certeza absoluta, onde a nossa própria vida é uma mera chama de uma vela, que qualquer vento pode apagar, assim temos que nos preparar para quaisquer imprevistos que possam ocorrer, até mesmo uma morte prematura, pois atualmente nada é eterno. Assim, não há como sermos inflexíveis e não estar dispostos a fazer mudanças. Como diz um brocado: só os tolos não mudam. Se alguém prova que estou errado, tenho de mudar meus pensamentos e minha filosofia de vida, contornar o caminho, ir por outro lado, mudar a rota, assim como fazem as formigas quando encontram obstáculos no seu trajeto. Por certo, temos de ir nos adaptando, segundo as circunstâncias que vão aparecendo. Isto significa ir administrando a vida segundo ao que for acontecendo ou ocorrendo. A princípio tínhamos sonhos altíssimos, achando que nada poderia nos deter. Naquela época o céu era o limite, passados os arroubos da juventude passamos a sonhar mais baixo. Hoje,os nossos sonhos as vezes não passam do quintal da nossa casa. Vamos nos adaptando as circunstâncias da vida. Não que o céu, com toda a sua imensidão e sonho de liberdade tenha desaparecido de vez do nosso imaginário. Apenas, ficou no momento inalcançável e bem longe de nós, ele está como que em stand by, um sonho aparentemente morto mas ainda com uma vida latente, aguardando alguma coisa, tipo uma explosão de fatos, que nos possa remeter de novo aos ares. Sim, saber administrar a vida e principalmente o tempo em que vivemos é um ato de sabedoria e não prova de fraqueza, de abandono dos sonhos de criança que não podem se concretizar no momento ante a um íngreme paredão de problemas, que se apresentam. Assim, o jeito é ir contornando as coisas, mudando o traçado, a fim de que se possa chegar algum dia ao topo. Com certeza, com muita paciência e perseverança um dia chegaremos lá é só não desistirmos.